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    • Hugo Mathecowitsch - CEO e cofundador da a55
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    • Hugo Mathecowitsch - CEO e cofundador da a55

      Hugo Mathecowitsch tem mestrado em Finanças pela escola de comércio europeia EDHEC Business School, além de especialização em Investimentos Alternativos, Finanças e Economia pela The London School of Economics and Political Science.

      Atualmente é CEO e cofundador da a55.

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    opinião

    DeFi, o velho oeste das finanças

    Nos últimos anos, um novo termo entrou no léxico financeiro: DeFi, ou finanças descentralizadas. Diferente do nosso sistema financeiro tradicional, o DeFi, é baseado em protocolos descentralizados executados em blockchain, tem o potencial de transformar e inaugurar uma era de inclusão e oportunidades financeiras. Por ainda estar no seu estágio inicial, o modelo  é frequentemente comparado ao “velho oeste”. Obviamente, a incipiência causa desconfiança e exige um maior apetite ao risco, mas aqueles que estão dispostos a assumir tais riscos, a recompensa tende a agradar.

    Os primeiros protocolos financeiros descentralizados começaram a surgir após a crise financeira de 2008. Esses projetos, baseados na tecnologia blockchain, ofereceram uma alternativa aos sistemas bancários tradicionais que eram vistos, de certa forma, como um modelo falido. Nos anos seguintes, a indústria DeFi cresceu rapidamente e, atualmente, existem mais de 100 protocolos financeiros descentralizados ativos somente na blockchain descentralizada (Ethereum) com um valor total bloqueado (TVL) de mais de $13 bilhões, segundo o DeFi Llama. O número impressiona, mas pode ainda ser muito pequeno, quando comparado com os trilhões de dólares que fluem por instituições financeiras centralizadas (TradFi), como bancos e corretoras.

    Atualmente, o universo financeiro é majoritariamente centralizado, já que há a presença de intermediários para a administração de serviços financeiros:  instituições financeiras têm o respaldo de bancos centrais e conseguem assumir certos tipos de risco. Esse sistema tem funcionado bem por um longo tempo, mas  a concentração de tanto poder já tem incomodado algumas pessoas, as quais preferem outros modelos de gerenciamento de suas finanças. O mundo DeFi chegou para brigar por esse espaço e trazer mais autonomia. Com as finanças descentralizadas, os serviços financeiros são fornecidos diretamente entre os usuários por meio de contratos inteligentes automatizados em blockchain. Essa governança descentralizada oferece ao usuário mais segurança e transparência, mas não o exime de enfrentar outros tipos de risco. Como a maioria dos projetos DeFi ainda estão em seus estágios iniciais e não contam com o apoio institucional dos órgãos financeiros tradicionais,  tendem a ser menos estáveis e mais vulneráveis a má gestão.

    Apesar disso, existem alguns fatores que impulsionam o crescimento dos protocolos DeFi. Em primeiro lugar, os ativos criptográficos se tornaram mais populares nos últimos anos, com investidores institucionais se envolvendo no espaço. Isso levou a uma migração de capital para o Ethereum e outras plataformas de contratos inteligentes que alimentam os aplicativos DeFi.

    Outro ponto importante para a discussão é que os ativos compatíveis com aplicações financeiras, como plataformas de empréstimos, tornaram-se cada vez mais populares para ganhar juros sobre ativos ociosos em criptomoedas. Com as taxas de juros estruturalmente baixas na maioria das economias mais desenvolvidas, muitos investidores estão recorrendo a ativos mais arriscados em busca de maiores retornos. E, por último, o valor das criptomoedas é notoriamente volátil, podendo facilmente levar a perdas se os preços caírem.

    Portanto, simultaneamente, enquanto o DeFi é o velho oeste das finanças no momento, também pode ser considerado ainda um oceano azul de possibilidades. Indiscutivelmente este é um setor empolgante, em crescimento e precisa  de cuidados inerentes a um modelo ainda em formação.

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