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Cintia Camargo

Cintia Camargo- diretora de Crédito para PMEs do Itaú Unibanco

Empreender para transformar: a força das mulheres que impulsionam o Brasil

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Mais de 10 milhões de mulheres estão à frente de pequenos e médios negócios no Brasil, segundo o Sebrae – o equivalente a 34% de todos os empreendedores do país. Esse movimento tem um impacto que vai muito além do crescimento empresarial: 90% da renda gerada por uma mulher empreendedora retorna para sua comunidade, e 40% delas sustentam suas famílias com o que ganham em seus negócios.

Ao impulsionarem a economia e promoverem autonomia financeira, essas mulheres provam que investir no empreendedorismo feminino é focar no desenvolvimento econômico e social, um investimento que, segundo estudos internacionais, poderia elevar o PIB global em até R$ 155 trilhões.

Evidências mostram que apoio estratégico e consultivo faz diferença, ainda mais para as mulheres, que muitas vezes encontram oportunidades limitadas para acessar crédito e redes de apoio.

Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com o Itaú Empresas mostrou que empresas que contam com orientação e crédito estruturado têm 30% mais chances de permanecer ativas após cinco anos em comparação a negócios semelhantes sem esse acompanhamento. Para empreendedoras, que muitas vezes encontram mais barreiras para acessar capital e planejamento especializado, esse dado reforça que o suporte certo pode ser decisivo não apenas para a continuidade do negócio, mas também para sua capacidade de inovar e crescer.

É nesse ponto que as instituições financeiras precisam assumir uma dupla responsabilidade. Não basta apenas oferecer linhas de crédito; é fundamental garantir que essas soluções sejam acessíveis, personalizadas e acompanhadas de orientação prática. Isso significa atuar em verdadeira parceria com as empreendedoras, oferecendo educação financeira, mentoria, redes de apoio e acompanhamento contínuo.

Um crédito concedido sem orientação perde parte do seu potencial; da mesma forma, uma mentoria sem financiamento acessível pode deixar de alcançar os resultados esperados. O impacto real, especialmente sobre as empreendedoras, que vivenciam tanto os desafios estruturais quanto o potencial de transformação, surge quando esses dois pilares caminham juntos.

O futuro do empreendedorismo feminino passa por produtos financeiros desenhados com sensibilidade, que considerem garantias alternativas, prazos adequados e processos acessíveis. É igualmente essencial investir em capacitação e redes que ajudem as empreendedoras não apenas a manter seus negócios, mas a inovar, gerir riscos, planejar expansões e se conectar a fornecedores e mercados. Essa transformação depende de uma ação conjunta entre políticas públicas, o setor privado, organizações da sociedade civil e o próprio sistema financeiro, capazes de construir caminhos que fortaleçam a infraestrutura de apoio e ampliem o acesso a financiamento, inclusive fora dos grandes centros. Parcerias desse tipo podem estimular ambientes mais favoráveis ao empreendedorismo, com resultados que reverberam em toda a sociedade.

A experiência mostra que, quando esse ecossistema funciona, a transformação acontece. O programa Empreendedoras do Futuro, desenvolvido pelo Itaú Mulher Empreendedora em parceria com a International Finance Corporation (IFC) e a FGV, é um exemplo concreto desse efeito multiplicador. Um ano após participarem da formação em gestão e liderança, 72% das participantes, líderes de pequenas empresas, aumentaram o faturamento de seus negócios — em média, 37% — e quase um quarto ampliou suas equipes. São resultados que comprovam que, quando se investe no fortalecimento das mulheres empreendedoras, toda a sociedade colhe os frutos.

Cada mulher que fortalece o próprio negócio amplia a capacidade produtiva do país, inspira outras a empreender e contribui para um ciclo virtuoso de crescimento. Apoiar essas empreendedoras não é apenas uma questão de equidade: é uma escolha estratégica para o desenvolvimento do Brasil.

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