Finanças e mobilidade sustentável: integrando modelos de negócios para um futuro consciente
Elaborar possibilidades mais sustentáveis de mobilidade é um dos grandes desafios nos últimos tempos. O conceito de mobilidade urbana sustentável ganhou ainda mais projeção, por conta da pandemia, que fez com que as pessoas procurassem alternativas para evitar aglomerações nos meios de transporte. Também é crescente a preocupação da sociedade com o meio ambiente.
O enfoque na sustentabilidade desencadeou provocações e levou a se pensar em todos os elos envolvidos na cadeia de locomoção, englobando desde o modal utilizado até as formas de descarte correto do veículo no fim de sua vida útil.
Dentro desse contexto, vale destacar que os debates sobre mobilidade não estão relacionados apenas a questões climáticas. São um importante problema de saúde pública, uma vez que a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, anualmente, milhões de pessoas adoecem e morrem em razão da poluição do ar para a qual os veículos contribuem de maneira significativa.
Esses alertas sobre os impactos provocados pelas emissões de poluentes, divulgados principalmente em encontros mundiais de lideranças na área, servem de incentivo para que o controle dos gases nocivos ao meio ambiente seja uma realidade próxima. No segmento automotivo, a produção e o próprio uso do automóvel estão no centro dos debates sobre sustentabilidade. Por isso, tem direcionado ações que contribuem para reforçar a preocupação com o tema, transformando a eletromobilidade e o investimento em materiais mais sustentáveis em senso comum.
No caso do Brasil, o país detém cerca de 85% de energia limpa. Além disso, desenvolveu o etanol, combustível renovável que promove uma redução de CO2 de cerca de 90%, quando comparado à gasolina. Isso demonstra que o desenvolvimento local de biocombustíveis é uma escolha bastante tangível, que pode contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país e se somar à inserção de veículos híbridos e elétricos na região.
E os veículos que usam combustíveis não renováveis também sofrem mudanças para se tornarem mais sustentáveis. Passam a usar materiais recicláveis e ganham melhorias contínuas no desempenho a fim de diminuir gastos e lançar menos poluentes no ambiente.
Com o progresso da descarbonização no setor automotivo, diversas outras iniciativas sustentáveis também são desenvolvidas, como veículos movidos a célula de hidrogênio e oriundos de energia solar.
O comportamento do consumidor também mudou no que se refere à sustentabilidade. Tenho observado um maior uso de serviços de mobilidade, como assinatura, aluguel de veículos e transporte por aplicativo, o que se reflete na diminuição da opção pela compra de um carro.
Concomitantemente, existe uma demanda por parte do consumidor latino-americano por veículos cada vez mais tecnológicos e conectados, proporcionando mais conforto, segurança e eficiência, e estimulando a criação de novos modelos de negócios.
Dessa forma, os profissionais que trabalham no ecossistema da mobilidade devem se qualificar constantemente para estarem aptos a assimilar e corresponder à demanda por novas tecnologias e inovações, inclusive em termos de digitalização de sistemas e processos.
Eu não poderia deixar de falar sobre a relação da mobilidade com as finanças sustentáveis. Estas últimas contemplam investimentos financeiros direcionados a atividades econômicas que respeitam as pessoas e preservam o meio ambiente. É uma tendência mundial e tem ganhado cada vez mais adesão dos agentes de mercado.
Por exemplo, investimentos em infraestrutura de transporte público eficiente, em projetos de compartilhamento de automóveis, em veículos que utilizam energia limpa ou renovável e em ciclovias podem reduzir as emissões de gases de efeito estufa e, consequentemente, contribuir para uma economia mais sustentável. Além disso, tais investimentos podem gerar oportunidades de negócios, que poderão atrair investimentos financeiros alinhados com os princípios da sustentabilidade.
O propósito das finanças sustentáveis é colaborar com a transição de uma economia influenciada pelo consumismo acelerado e insustentável para uma economia consciente e de baixo carbono, contribuindo para a construção de um modelo econômico que realmente pense no futuro do planeta.
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