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Milene Araújo

Milene Araújo- gerente de Transportes da Loggi

Logística como eixo estratégico para competitividade: o que esperar em 2026

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À medida que avançamos em 2026, a logística se consolida como um elemento cada vez relevante no varejo e um dos principais motores de competitividade das empresas. Sua atuação deixou de estar restrita à execução das entregas e passou a influenciar decisões de negócio de ponta a ponta, do planejamento operacional à expansão e à escala. Nesse contexto, tecnologia, gestão e ferramentas são fortes aliados e precisam atuar em sinergia e estar combinados para sustentar operações mais eficientes, previsíveis e resilientes.

Esse entendimento ajuda a promover mudanças estruturais na forma como as cadeias logísticas são planejadas, executadas e avaliadas. E a tomada de decisão orientada por inovação, comportamento e dados passa a guiar todas as etapas da operação, do planejamento à entrega final; em que modelos mais distribuídos ganham relevância, e a integração entre sistemas, canais e dispositivos redefine o que significa operar com excelência. Dentro desse panorama, destacam-se algumas das tendências para a logística de 2026:

  • Expansão nacional e eficiência logística:

A entrega nacional é uma realidade, mas acelerar e potencializar esse fluxo é um desafio. Quem vende no Sul entrega no Nordeste? Sim. E a ampliação de território (com maior volume) no e-commerce, significa mais negócios para todos que vendem — do empreendedor a grande marca, gerando também a necessidade de ter soluções logísticas mais eficientes. Dados da Cobli apontam que, o setor logístico deve crescer de US$ 104,79 bilhões, em 2024, para US$ 129,34 bilhões até 2029, impulsionado pelo avanço contínuo do varejo online. Esse movimento reforça a logística como pilar central da competitividade, indo além da entrega para assumir um papel estratégico na experiência do consumidor e na sustentabilidade do crescimento.

Do ponto de vista analítico, a expansão territorial deixa de ser apenas uma ambição de escala e passa a depender da capacidade das empresas de operar com inteligência logística, que será um diferencial decisivo.

  • Automação nos centros de distribuição:

A automação nos centros de distribuição evoluiu de um diferencial para um requisito competitivo, impulsionada pela adoção de sorters inteligentes e sistemas modulares que transformam armazéns em plantas semi-autônomas. Mas o avanço ainda esbarra na maturidade organizacional: segundo levantamento da consultoria IMAM Consultoria, 61% dos gestores brasileiros afirmam que a falta de estratégia estruturada impede a automação, e 29% apontam déficit de mão de obra qualificada. Assim, automação em 2026 não será apenas sobre máquinas, mas sobre construir uma organização capaz de operá-las de forma mais otimizada.

  • IA como inteligência estratégica operacional:

A Inteligência Artificial deixa de ser ferramenta complementar de algumas áreas e passa a assumir funções analíticas do dia a dia das operações, como previsão de demanda, roteirização autonômica, planejamento de capacidade e simulação de cenários estratégicos. Porém, mesmo com o uso crescente de dados, muitas empresas ainda não têm maturidade para extrair valor real, o que reforça que a IA só entrega resultados quando combinada com processos sólidos e governança. Em 2026, a IA deverá ser um dos principais motores de decisões logísticas — do operacional ao estratégico — e quem não integrar seus dados à inteligência preditiva ficará estruturalmente atrás.

  • Desenvolvimento de redes urbanas:

A expansão de hubs como as redes urbanas de PUDOs (pick-up and drop-off points), são pilares estratégicos da logística de alta densidade, reduzindo custos e aumentando a conveniência para o consumidor. De acordo com o Mapa da Logística, esses pontos de recebimento vêm ganhando a atenção e a preferência dos empreendedores, especialmente devido ao maior acesso e à redução nos custos operacionais, é o uso de pontos de recebimento para envio de pacotes, que aumentou em 22% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o segundo trimestre do mesmo ano. Com isso, observa-se um potencial de crescimento com a expansão do e-commerce e demanda por opções de entrega mais flexíveis.

Portanto, 2026 deve marcar a consolidação da logística como eixo estratégico para competitividade, não apenas como suporte operacional. Automação, IA e redes urbanas deixam de ser iniciativas isoladas e passam a compor um ecossistema integrado que sustenta eficiência, previsibilidade e experiência do cliente. As empresas que conseguirem conectar pessoas, processos e tecnologia — com dados como base para todas as decisões — estarão melhor posicionadas para competir em um ambiente cada vez mais dinâmico e exigente. Em um mercado onde velocidade e precisão se tornaram expectativas básicas, a verdadeira vantagem competitiva virá da capacidade de executar com eficiência em toda a cadeia.

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