Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    • Paulo Hartung - Presidente-executivo da Ibá e ex-governador do Espírito Santo
    Ver mais sobre o autor
    • Paulo Hartung - Presidente-executivo da Ibá e ex-governador do Espírito Santo

      Economista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1978, é “Professor Honoris Causa” pela Universidade Vila Velha (2004). É “Doutor Honoris Causa” pela Ufes (2006).

      Com longa carreira política, foi governador do Espírito Santo por três mandatos (2003-2010 e 2015-2018), senador, prefeito de Vitória, deputado federal e deputado estadual.

      Atualmente, comanda a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), associação que reúne a cadeia produtiva de árvores plantadas para fins industriais.

      Atua em diversas frentes em prol da formação de novas lideranças, além de realizar palestras sobre gestão pública em todo o País.

      É membro do conselho do RenovaBR e integra o conselho do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Participa do Instituto de Estudos da Saúde (IES), criado por Armínio Fraga.

      Participou na iniciativa privada como conselheiro administrativo da EDP do Brasil (2012-2014) e da Veracel Celulose (2013-2014).

      Também foi diretor Desenvolvimento Regional e Social do BNDES (1997) durante o governo Fernando Henrique Cardoso. A convite da Embaixada Americana no Brasil, participou de programa intensivo sobre Administração Pública e Sistema Político nos Estados Unidos, em 1997.

      Fechar
    opinião

    Nossas florestas, nosso futuro

    Construir um futuro próspero depende da história que estamos escrevendo hoje. A conjuntura planetária impõe enormes desafios a serem enfrentados, mas que abrem algumas janelas de oportunidades para países que souberem fazer de suas florestas e riquezas ambientais fontes de crescimento sustentável.

    O início da pandemia abalou a cadeia de suprimentos em âmbito global. O aumento da tensão entre China e Estados Unidos agrava tal cenário e a invasão russa à Ucrânia aprofunda a situação. Hoje, a alta inflação em todo o planeta e a instabilidade no sistema financeiro mundial são alguns dos impactos de todo este desarranjo.

    Não bastasse esse quadro, as atuais gerações carregam, ainda, a responsabilidade de encontrar meios para lidar com a prioridade número um da humanidade: a crise climática.

    Este retrato eleva a importância do Dia Internacional das Florestas, datado em 21 de março. O mundo precisa entender definitivamente que, se queremos embarcar rumo a um futuro sustentável, o preço da passagem é cuidar de nossas florestas com zelo sem precedentes.

    Nesta jornada, o Brasil é uma das chaves para o êxito. Dono da maior floresta tropical e maior biodiversidade do planeta, o país também detém 12% da água doce do mundo. Precisamos saber aproveitar este potencial.

    Há 50 anos, o país era importador de alimentos e hoje, após investimento em tecnologia e capacitação profissional, alimentamos cerca de 10% da população mundial. Segundo a Universidade Federal de Goiás, o Brasil tem 88 milhões de hectares de terras com algum nível de degradação, que poderiam ser o berço para crescimento da agricultura moderna e apoiada pela ciência de ponta sem a necessidade de derrubar florestas nativas.

    A descarbonização também passa pela urgente tarefa de deixar para trás fontes fósseis para geração de energia. Hoje o Brasil já possui uma matriz energética diferenciada. Além disso, possui ventos constantes em diversas regiões, sol e uma experiência exitosa com biomassa, posicionando o país como um potencial fornecedor de energia limpa para o mundo.

    Nesta caminhada, no entanto, não podemos nos esquivar de tarefas fundamentais, como o combate a crimes ambientais. Desmatamento ilegal, grilagem, queimadas, entre outras violações, não devem mais ser tolerados. O caminho nós já conhecemos, pois já formulamos soluções quando, após a Rio-92, criamos o Ibama, o Ministério do Meio Ambiente e investimos em comando e controle.

    A boa notícia é que os ventos da contemporaneidade estão a nosso favor. Se o Brasil abraçar, de fato, a economia verde, teremos a chance de nos tornarmos um polo de inovação sustentável. Segundo a Associação Brasileira de Bioinovação, a implementação plena da bioeconomia no país poderia gerar um incremento no faturamento industrial na ordem de US$ 284 bilhões por ano. É a chance também de promover melhorias socioeconômicas nas vidas de boa parte de 25 milhões de brasileiras e brasileiros que vivem na região amazônica e sofrem com falta de saneamento básico, saúde precária, entre outras vergonhosas dificuldades.

    Para além da Amazônia, há cases que podem inspirar. A indústria de biocombustíveis é um exemplo. Além de posicionar o Brasil como segundo maior produto mundial de etanol, exporta tecnologia para produção do etanol de segunda geração, que utiliza os resíduos descartados no processo. O setor de árvores cultivadas, por sua vez, é um modelo, pois trabalha com olhar para o uso inteligente da terra, respeito à natureza e cuidado com as pessoas.

    Atualmente, planta, colhe e replanta em terras antes degradadas, que totalizam 9,93 milhões de hectares. Nas mesmas fazendas, conserva mais 6,05 milhões de hectares de mata nativa, uma área maior do que o estado do Rio de Janeiro. Em uma técnica sustentável de manejo, chamada mosaico florestal, estas áreas são conectadas, criando verdadeiros corredores ecológicos. A partir da matéria-prima das árvores plantadas são produzidos itens de fonte renovável, recicláveis e biodegradáveis, como embalagens de papel, tecidos, fraldas, livros, lenços, painéis de madeira, entre outros.

    Não podemos esquecer que para aproveitar em sua plenitude o potencial natural, é preciso que o país se organize sob o ponto de vista fiscal e trabalhe para garantir segurança jurídica. Isto é condição primeira para atrair investidores internacionais, dando fôlego para avanços ambientais.

    As chances estão à nossa mesa. Que este Dia da Floresta vá além da reflexão e estimule ações concretas. De políticas públicas que incentivem a economia verde ao trabalho realmente baseado em ESG da iniciativa privada. Os mais jovens anseiam pelo trilhar deste caminho, não apenas como consumidores, mas também como cidadãos preocupados com o futuro.

    Trata-se de oportunidade para o país recuperar seu papel de cooperação ambiental e fazer da floresta sua fortaleza e consolidando-a, de vez, como requisito para um planeta saudável.

    Fórum CNN

    Os artigos publicados pelo Fórum CNN buscam estimular o debate, a reflexão e dar luz a visões sobre os principais desafios, problemas e soluções enfrentados pelo Brasil e por outros países do mundo.

    Os textos publicados no Fórum CNN não refletem, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.

    Sugestões de artigos devem ser enviadas a forumcnn@cnnbrasil.com.br e serão avaliadas pela editoria de especiais.

    Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.