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Olavo Corrêa

Olavo Corrêa- Diretor-geral da AstraZeneca no Brasil

O que as pessoas esperam do setor de saúde e o papel da redução de carbono

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Só nos últimos meses no Brasil, as chuvas assolaram e alagaram diversas regiões país, provocando enchentes e deslizamentos, arrastando casas e estradas e deixando milhares de desabrigados. Tornados nos Estados Unidos e diversas outras manifestações da natureza mundo afora. Situações geradas ou agravadas pelas mudanças climáticas impactam cada vez mais – e da pior maneira possível – populações em todo o mundo, em especial as mais vulneráveis economicamente.

Enquanto isso, o cenário e projeções para um futuro próximo são alarmantes: se as medidas necessárias não forem tomadas em tempo, as emissões de CO2 em todo o mundo devem bater recorde em 2023 e a temperatura média do planeta deve aumentar 1,5ºC em nove anos, nível considerado bastante elevado.

Enfrentar o problema é um desafio global. O tema da COP27 (Conferência do Clima das Nações Unidas), em novembro de 2022, foi a implementação do Acordo de Paris, que consiste no compromisso das nações em mitigar as emissões de gases de efeito estufa, entre eles, o dióxido de carbono. No Brasil, a meta é reduzir em 37% as emissões até 2025, ambição liderada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática.

De acordo com o estudo global Edelman Trust Barometer – Relatório Especial Mudanças Climáticas 2022, 79% dos brasileiros concordam que as sociedades devem agir de maneira mais rápida para lidar com as mudanças climáticas e, embora 77% esperem que os governos assumam a liderança5. A percepção reforça ainda mais a importância da parceria entre governos e empresas nessa área, com cada um fazendo a sua parte e colaborando com o outro em busca do mesmo objetivo. Na opinião dos entrevistados, cabe às empresas “arrumarem suas próprias casas”, além de influenciarem positivamente e promoverem inovação. A pesquisa indica um aumento de 4,5% na propensão de as pessoas confiarem nas empresas que adotam metas climáticas baseadas na ciência; de 4,3% nas que garantem que seus fornecedores reduzam o seu impacto climático e de 4,1% mais nas que inventam produtos e tecnologias com menos impacto no clima5.

Instituições e empresas do setor da saúde, originalmente responsável pela saúde de pessoas, devem ampliar seu propósito, cuidando do planeta – inclusive porque a relação é direta. Em 2021, o Health Research Institute (HRI), da PwC, analisou os esforços ambientais, sociais e de governança (ESG) de organizações de saúde e mostrou que historicamente elas têm no centro de seu negócio o pilar social, com o desenvolvimento de medicamentos e vacinas que salvam ou melhoram a qualidade de vida da população, mas que as comunidades ainda sentem falta de equilíbrio e investimento na construção de iniciativas também nos pilares ambiental e de governança e de práticas comerciais alinhadas a eles6. O desafio é tão grande quanto as oportunidades que surgem para que empresas do setor façam a sua lição de casa, gerando confiança ao mesmo tempo que promovem benefícios às sociedades em geral e comunidades onde atuam.

No pilar ambiental, entre as medidas mais urgentes, está a mobilização e a ação em torno de medidas que combatam o aquecimento global. O primeiro passo é “olhar para dentro” e entender como zerar a pegada de carbono do negócio, estabelecendo metas e monitorando a sua evolução – ou seja, “arrumar a casa”. Viabilizar o consumo de energia oriunda de fontes renováveis, redução e manejo responsável de resíduos, transporte responsável, incentivar frota de carros com etanol e redução significativa de viagens corporativas, além de parcerias em projetos de compra de carbono são algumas das iniciativas que toda empresa responsável deve ter. O empenho e ação de toda a cadeia envolvida – empresas, fornecedores e consumidores – em prol da neutralização do carbono, em parceria com outras ações ambientais, sociais e governamentais, pode contribuir para que tenhamos um futuro com pessoas saudáveis e um planeta saudável.

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