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Bárbara Bueno

Bárbara Bueno- Diretora executiva do Instituto Camargo Corrêa

O S do ESG: o que esperar da agenda social das empresas em 2024

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A agenda ambiental de governos e empresas dominou o noticiário ESG em 2023, ano mais quente já registrado em nosso planeta. A preocupação com as mudanças climáticas vai continuar pautando os compromissos de empresas e governos responsáveis, mas responder aos desafios como a desigualdade e inclusão também entrou de vez no radar. Assim, as companhias caminham para uma abordagem integrada de responsabilidade corporativa que envolve tanto questões ambientais como sociais. Nesta agenda social corporativa, vejo algumas tendências para 2024. 

Uma delas é o crescente compromisso das empresas em apoiar causas ligadas às comunidades afetadas por suas operações. Conscientes do impacto que podem ter em regiões específicas, as empresas estão assumindo a responsabilidade não só de  mitigar os impactos causados por suas atividades, como também compartilhar a geração de valor promovendo o bem-estar dessas comunidades. Projetos que visam melhorar a educação, saúde e empregabilidade – com resultados concretos, que mudem a vida das pessoas e de suas famílias – são cada vez mais comuns. Essa abordagem não apenas fortalece os laços entre a empresa e a comunidade, mas também contribui para um desenvolvimento mais equitativo e sustentável.

Outro aspecto que deve nortear a atuação social das empresas neste ano é a busca por transparência na prestação de contas dos investimentos feitos. Acredito que teremos relatórios cada vez mais detalhados sobre práticas sociais, incluindo métricas mensuráveis. Isso não apenas proporciona uma compreensão clara do impacto das ações da empresa, mas também demonstra um compromisso genuíno com a responsabilidade corporativa. O aprimoramento dos profissionais do terceiro setor e a integração eficaz de sistemas de monitoramento são cruciais para atender a essa crescente demanda por transparência da parte de consumidores, funcionários e investidores.

Também acredito que as companhias vão, ao longo de 2024, buscar cada vez mais parceiros na idealização e execução de projetos sociais. O fortalecimento das parcerias entre empresas, governos, OSCs e outras entidades da sociedade civil vai se mostrar cada vez mais relevante para enfrentar desafios complexos. A colaboração entre diferentes atores demonstrou ser uma estratégia eficaz para gerar impacto positivo e alcançar resultados mais significativos em áreas como educação, infraestrutura digna e emprego. 

A essas tendências soma-se a preocupação do setor privado em refletir em seus quadros de colaboradores a diversidade da população brasileira. A urgência em promovermos uma sociedade mais inclusiva e diversa tem levado à crescente cobrança de diversos stakeholders.  A obrigatoriedade em reportar a reguladores e investidores censos com dados de gênero e raça e discrepância de salários vai fazer essa agenda ganhar ainda mais tração. Trata-se de um enorme desafio para a maior parte das empresas brasileiras. 

Por fim, para colocar em prática esses compromissos sociais, as empresas terão que ter times cada vez mais capacitados, que possam idealizar, implementar e monitorar o impacto dos projetos. Esse time de especialistas será essencial para que as empresas possam cumprir suas jornadas sociais, alcançar  seus propósitos e ir ao encontro do que a sociedade espera delas. Vamos ter de contar, em nossos quadros, com profissionais voltados ao ESG tão qualificados e reconhecidos quanto aqueles que lideram as operações. Quando isso acontecer, será mais um reflexo de que o ESG, de fato, está deixando de ser uma obrigação para se tornar uma estratégia de negócios. 

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