Por que o Dia da Educação também é sobre empresas e trabalhadores?

Há 25 anos, em 28 de abril de 2000, foi assinado no Fórum Mundial de Educação em Dacar, Senegal, um compromisso internacional por 164 países, incluindo o Brasil, para garantir o desenvolvimento da educação no mundo. Nações sabem bem que a educação desempenha um papel fundamental no crescimento de suas populações, para que cada um possa se desenvolver e alcançar uma vida mais digna e plena, com melhores chances e oportunidades.
Mas essa agenda não deve ser exclusiva de fóruns multilaterais e das altas lideranças governamentais. O setor privado, maior empregador em boa parte dos países, também tem que ser implicado a refletir e se comprometer com desafios da educação do nosso tempo.
A sustentabilidade dos negócios está intimamente ligada à preparação e bem-estar da força de trabalho para lidar com questões inimagináveis naquele encontro do início do milênio – como a revolução provocada pela inteligência artificial (AI).
A tecnologia está transformando o trabalho de milhões de pessoas, enquanto a escassez global de talentos continua a crescer. Até 2030, estima-se que 85 milhões de empregos em todo o mundo poderão ficar vagos devido à falta de profissionais qualificados para ocupá-los, segundo um levantamento da Korn Ferry de 2023. Organizações que não se adaptarem correm o risco de deixar sua força de trabalho subutilizada e despreparada para uma realidade que não deve retroceder, nem deixar de se transformar.
Uma força de trabalho subutilizada sufoca a inovação, reduz a produtividade e enfraquece a lucratividade e a competitividade de uma empresa. As carreiras não são mais uma trajetória única e linear, mas jornadas dinâmicas com muitos pivôs e rotas. Por isso, é urgente que o setor privado se apoie na educação para redesenhar os caminhos de qualificação, tornando-os mais transparentes, personalizados e responsivos ao mundo do trabalho em evolução.
Um farol vem do último Fórum Econômico Mundial, que mostrou uma taxa de 29% de rotatividade (cargos criados ou eliminados) esperada em cinco anos. Tendo em vista esse cenário, a Pearson, em sua série de estudos Skills Outlook, analisou a força de trabalho do setor de tecnologia, segmento bastante representativo ao pensarmos no impacto das transformações tecnológicas e da crescente escassez de trabalhadores qualificados. Foram considerados 34 tipos de soluções emergentes em 76.600 tarefas de trabalho.
O estudo constata que aqueles que trabalham em funções-chave na área de tecnologia podem economizar cerca de um dia por semana até 2029, utilizando as novas soluções de IA e Tech de forma eficaz – média considerando os seis países pesquisados (EUA, Reino Unido, Índia, Brasil, China e Austrália). No Brasil, a economia seria de até 10,4 horas de trabalho por mês – aproximadamente 125 horas por ano – se a tais ferramentas fossem efetivamente empregadas nos próximos 5 anos.
Além de repensar como as funções são estruturadas e redefinir quais tarefas “essenciais” permanecerão com funcionários humanos, essa última edição da Skills Outlook traz outro insight essencial para nós, empregadores e corporações: a aposta na preparação dos nossos funcionários atuais, em vez de substituí-los por outros profissionais.
Com estratégias criativas e investimento em requalificação para minimizar lacunas de talentos, podemos resolver as necessidades de habilidades dentro de própria equipe e proporcionar agilidade e segurança no ambiente de trabalho. Porém, é preciso ter clareza sobre o que será exigido deste profissional e repensar as funções em toda a organização.
A pesquisa da Pearson mostra que chatbots de LLM (como CoPilot e ChatGPT) e RPA para processos internos (robótica de software), por exemplo, apresentam o maior potencial de economia de tempo para as funções atuais no mercado de tecnologia. Como elas se aplicam em outros segmentos e indústrias?
Uma informação recente, esta fornecida pelo “Relatório sobre IA Generativa em Serviços Profissionais de 2025”, da Thomson Reuters, revelou que 95% das 1.800 pessoas entrevistadas globalmente preveem que a IA será essencial para o fluxo de trabalho de suas empresas dentro de cinco anos, mas 64% dizem não ter recebido qualquer treinamento sobre o uso da tecnologia em seu dia a dia.
Líderes que já refletem e tomam medidas sobre isso estão, sem dúvida, à frente de uma demanda que não é mais futura, mas extremamente atual. E a solução passa pela aposta em uma educação contínua que traz resiliência e vai além: apresenta oportunidades de crescimento e empregabilidade para todos os profissionais.
Apesar de rodeados por elas, não somos máquinas. Somos movidos a desejos particulares – pessoais e profissionais – que se realizam muitas vezes nas experiências de aprendizado ao longo da vida. Por isso precisamos, como sociedade, apoiar as pessoas a aprender continuamente, desenvolvendo skills não só para o trabalho, mas também para a vida.
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