Por que precisamos que as empresas divulguem seus dados ambientais?

Estiagens prolongadas na Argentina, seca no Chile e no Paraguai, ondas de calor severas e chuvas torrenciais no Brasil. Esses são alguns dos impactos decorrentes de mudanças climáticas que estão se tornando cada vez mais presentes, ameaçando pessoas e a economia mundial.
Sabemos que o custo de adaptação é inferior ao custo de perdas e danos, que podem chegar a 400 bilhões de dólares para países em desenvolvimento. Agir agora é melhor do que reagir no futuro, e aumenta a urgência para que governos e empresas tenham um plano de transição e enfretamento. Levantamento feito pelo CDP, maior plataforma mundial para acompanhamento de dados climáticos, traz que os riscos relacionados às mudanças climáticas podem custara até US$ 135 bilhões às empresas, enquanto o custo de enfrentamento aos danos ocorrentes destes riscos seria de US$ 52,16 bilhões.
Como saber se os avanços estão na velocidade e na abrangência adequadas? Como garantir que as empresas da América Latina avançam para atingir as emissões líquidas zero? Para isso, precisamos aumentar a transparência com relação à divulgação de dados ambientais.
A boa notícia é que se constata um progresso nesse sentido. O número de empresas latino-americanas que reporta seus dados ao CDP vem aumentando. Desde 2020, mais de 1.300 companhias apresentaram informações sobre sua atuação e seus compromissos no combate às mudanças climáticas. Em 2022, esse número chegou a 2.026, representando um aumento de 46% em relação a 2020. Juntas, essas companhias somam US$ 1,38 trilhão em capitalização de mercado que representa 65% da capitalização de mercado da América Latina.
Cresceu também o número de organizações que incluíram práticas de gestão para uma atuação sustentável, como incorporar no processo de governança, profissionais que supervisionam questões climáticas. E ainda, 31% dessas empresas têm incentivos a performance da alta liderança vinculados à boa gestão dessas questões, como por meio de remuneração variável, por exemplo.
Apesar dessa evolução das empresas em direção a dar transparência às práticas ambientais, a atenção agora se direciona na quantificação. Apenas 22% das companhias que reportam seus dados ao CDP têm metas de redução de emissão de gases de efeito estufa e, quando nos referimos à meta global para manter o aquecimento dentro do limite de 1,5°C, esse número cai para apenas 13%.
A expectativa é que as empresas sigam crescendo, seja por convicção, seja em resposta à crescente conscientização da população; maior regulação de entidades governamentais; pressão de grupos de defesa ambiental e exigências de instituições financeiras.
Ao divulgar dados ambientais, as empresas não só atestam que progridem significativamente, como também mostram que há muito a ser feito. Sendo o combate às questões climáticas um interesse coletivo, abre-se oportunidade para reivindicação de recursos, apoio e atuação integrada. Espera-se que em 2023, os setores produtivos continuem seguindo em frente e entendam a importância de, juntamente com o governo, promover um trabalho efetivo, que possibilite preservar o meio ambiente e garantir uma economia que funcione tanto para as pessoas como para o planeta.
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