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Leonardo Bia- Head de Políticas Públicas e Relações Governamentais da Roche

Saúde no Brasil: por onde o governo deve começar?

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Sempre é tempo para pensar em como a gestão da saúde no Brasil pode ser mais assertiva e eficiente. Mas, neste momento, essa reflexão é urgente. As lideranças políticas que assumiram nosso país e nossos estados precisam se debruçar sobre um setor que diz respeito a todos nós.

Sabemos que a pandemia de Covid-19 escancarou as lacunas que ainda temos em gestão e acesso à saúde. Ao mesmo tempo, precisamos reconhecer que foi um período de grande aprendizado: a crise sanitária nos mostrou que a tríade de ciência, tecnologia e dados é fundamental para pautar decisões clínicas e alocação de recursos, com resultados efetivos. Também evidenciou que uma boa gestão na área de saúde é vital para construirmos economias estáveis e sociedades fortes. Vemos, depois de tudo isso, que esse é o caminho do futuro.

Se o coronavírus fez com que as doenças transmissíveis ganhassem evidência nos últimos anos, antigos conhecidos continuam à espera de soluções: patologias tão complexas como câncer e doenças raras, as doenças crônicas que lideram os rankings de mortalidade e as tantas demandas que surgem com o envelhecimento dos brasileiros.

São muitos desafios. E por onde os gestores deveriam começar? Na Roche, uma das principais farmacêuticas do mundo, foi desenvolvido um plano de transformação da saúde, também chamado de Healthcare Impact Plan, para identificar e priorizar ações que garantam mais eficiência e sustentabilidade aos ecossistemas de saúde. Nele foram estabelecidas quatro áreas elementares, que servem como pilares de um acesso à saúde democrático e inteligente.

A primeira delas é infraestrutura, que impacta, diretamente, na adesão aos cuidados com a saúde e qualidade de vida dos pacientes. Com dimensões continentais, o Brasil precisa traçar estratégias em mobilidade e telecomunicações. Um exemplo: não há políticas públicas para mobilidade de pacientes oncológicos fora do estado de São Paulo e somente 11 estados e o Distrito Federal têm centros especializados em doenças raras. Reconhecer o tamanho de nosso país dentro do planejamento da saúde - e buscar soluções - é fundamental.

Recursos financeiros sempre são uma questão que precisa ser encarada com maturidade. É necessário que, de forma conjunta, empresas e governos criem modelos inovadores de financiamento - gerando inteligência e sustentabilidade ao setor. Um caminho é maximizar as iniciativas conjuntas entre público e privado, aproveitando sinergias para desenvolver soluções integradas ao fundos e financiamento da saúde, fortalecendo, assim, os sistemas.

O terceiro ponto é que as novas tecnologias precisam ser avaliadas a partir de uma responsabilidade compartilhada entre o Estado e agentes públicos e privados. Só assim será possível viabilizar o acesso mais ágil às soluções inovadoras em saúde para os pacientes. Lembro aqui a Política Nacional de Gestão de Tecnologias em Saúde (PNGTS), criada em 2009 com o objetivo de guiar os gestores e tomadores de decisão na gestão dos processos de avaliação, incorporação, difusão e gerenciamento de tecnologias no SUS. É inquestionável que a PNGTS teve avanços desde sua criação, como a criação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e é positivo que seja aprimorada com base em tantas experiências que surgiram desde sua criação.

Inteligência de dados é o quarto pilar e, na verdade, o elemento propulsor de todas as frentes. A digitalização do setor nos permite aprender com a experiência de cada paciente e, principalmente, ter informações para criar uma gestão dos sistemas mais sustentável. É fato que o Brasil já avançou bastante, com destaque para a Estratégia de Saúde Digital 2020 - 2028, cuja continuidade será de extrema importância para o atendimento mais eficiente aos pacientes e tomadas de decisão mais bem informadas por parte de profissionais de saúde e gestores.

Com tudo isso, vemos que colaboração deve ser o termo do governo na área de saúde. Precisamos manter e potencializar os aprendizados e conquistas dos setores público e privado e acreditar no valor compartilhado entre empresas e Estado. Assim, chegaremos mais perto de vencer a iniquidade de acesso à saúde para os brasileiros. Porque, enquanto pensarmos em soluções que não chegam aos pacientes, nosso trabalho estará incompleto.

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