Acesso a capital lidera desafios da mineração no Brasil, diz EY

Capital mais caro e seletivo amplia pressão sobre mineradoras; discussão ocorre em meio à articulação do governo e Congresso para criar fundo garantidor e novas linhas do BNDES para minerais críticos

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
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O acesso a capital aparece como o principal tema para a mineração no Brasil em 2026, segundo o recorte nacional de estudo elaborado pela EY, consultoria e auditoria global.

O levantamento aponta que capital lidera o ranking das 10 principais oportunidades e riscos do setor no país.

Na sequência, aparecem aumento dos custos e produtividade, além da licença para operar.

Segundo Afonso Sartorio, líder de Energia e Recursos Naturais da EY, o capital para investimentos está “mais seletivo” e, consequentemente, “mais caro”.

O diagnóstico dialoga com a tentativa do governo federal e do Congresso de estruturar uma política nacional para minerais críticos.

O relatório do marco legal em discussão na Câmara dos Deputados deve prever a criação de um fundo garantidor para apoiar projetos estratégicos do setor. A ideia é reduzir parte do risco financeiro e facilitar a atração de capital privado para empreendimentos considerados prioritários.

Em paralelo, o governo também articula linhas adicionais de financiamento pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), em um esforço para ampliar a disponibilidade de crédito para projetos ligados à cadeia de minerais críticos, como terras raras, lítio, cobre, níquel e outros insumos usados na transição energética e em tecnologias de defesa, eletrificação e alta complexidade industrial.

O estudo da EY mostra que, no Brasil, a busca por capital deve se concentrar em operações de fusões e aquisições e em projetos brownfield, desenvolvidos em áreas com infraestrutura já existente, minas em operação ou depósitos previamente conhecidos.

Entre os entrevistados brasileiros, 34% indicaram M&As como opção de alocação de capital, enquanto 36% apontaram desenvolvimento brownfield. Nos dois casos, os percentuais superam a média global, de 25%.

Para Marcelo Andrade, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon, o capital global tem incorporado cada vez mais critérios geopolíticos em suas decisões.

Nesse contexto, o Brasil tende a ganhar atratividade por reunir reservas de minerais críticos ainda subexploradas, estar fora de zonas de conflito e contar com uma matriz energética comparativamente mais limpa.

A geopolítica, porém, também impõe cautela. O estudo afirma que a posição brasileira fora dos principais conflitos internacionais aumenta a visibilidade do país na cadeia global de minerais críticos, especialmente em terras raras. Mas a EY alerta que a ausência de uma estratégia clara pode levar o Brasil a perder essa janela de oportunidade.