Aclara avança nos EUA e mira cadeia integrada com projeto no Brasil
Planta-piloto de separação na Virgínia deve destravar planta industrial e levar carbonato misto de terras raras brasileiro para separação individual nos EUA

A Aclara Resources deu mais um passo para viabilizar uma cadeia integrada de terras raras, com o objetivo de avançar, no futuro, da produção de carbonato misto para a etapa de óxidos separados, elo mais estratégico e hoje concentrado na China.
A empresa inaugurou na última quinta-feira (19) uma planta-piloto de separação na Virginia Tech, nos Estados Unidos, com o objetivo de validar sua tecnologia e acelerar o desenvolvimento de uma unidade industrial em larga escala na Louisiana.
Na prática, o movimento conecta diretamente os ativos da companhia na América do Sul à uma das etapas mais críticas da cadeia global de terras raras.
A estratégia da Aclara é produzir carbonato misto de terras raras com alta concentração de elementos pesados, a partir de depósitos de argila iônica no Brasil e no Chile, e enviar esse material para separação nos Estados Unidos.
É nessa etapa que os elementos passam a ser isolados em óxidos individuais, insumo essencial para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.
A planta-piloto na Virgínia funciona como um elo de validação técnica e operacional.
A unidade vai testar o desempenho do processo de separação com material de alta pureza e gerar dados para o desenho da planta industrial na Louisiana, considerada o ativo-chave da companhia para capturar valor na cadeia.
“A instalação representa um marco importante na estratégia da Aclara de estabelecer uma cadeia de suprimentos verticalizada de terras raras no Hemisfério Ocidental e apoiar o desenvolvimento de sua planejada unidade industrial de separação em escala comercial na Louisiana’, diz a empresa.
O projeto brasileiro é central nesse desenho.
A Aclara desenvolve, no país, um depósito de terras raras em argilas iônicas, modelo semelhante ao explorado na China e considerado estratégico por permitir produção com menor impacto ambiental e menor custo.
O plano é transformar esse recurso em carbonato misto ainda em território nacional, etapa intermediária que concentra valor, mas ainda distante do maior prêmio da cadeia.
É justamente esse “gap” que a companhia tenta fechar com a verticalização nos Estados Unidos.
A iniciativa ocorre em um momento de crescente pressão geopolítica sobre a cadeia de terras raras.
Hoje, a China concentra não apenas a mineração, mas principalmente as etapas de separação e refino, gargalo que limita a autonomia de países ocidentais.
Na visão da empresa, a presença de representantes do Departamento de Energia e da DFC (agência de financiamento ao desenvolvimento dos EUA) na inauguração da planta reforça o caráter estratégico do projeto.
No ano passado, a Aclara já havia garantido US$ 5 milhões da DFC para apoiar estudos de viabilidade de seu ativo no Brasil.
Se executado como planejado, o projeto posiciona o Brasil como fornecedor relevante de matéria-prima processada para cadeias ocidentais, ainda que a etapa de maior captura de valor, a separação e produção de ímãs, permaneça fora do país.
Projeto Carina
No Brasil, o projeto Carina, da Aclara, ainda está em fase de desenvolvimento e deve entrar em operação comercial em 2028. A companhia já concluiu a etapa de pré-viabilidade e, agora, trabalha para fechar o estudo de viabilidade, tratado pela empresa como um dos marcos centrais de 2026.
Em paralelo, o projeto também avança na frente regulatória: a própria Aclara indicou como metas deste ano a conclusão do relatório técnico de viabilidade no 1º trimestre de 2026 e a aprovação do estudo de impacto ambiental, além do pedido da licença de construção, no 2º trimestre de 2026.


