Após cinco anos, primeira ferrovia por autorização começa a sair do papel

Projeto de 54 km em Mato Grosso do Sul vai conectar fábrica de celulose da chilena Arauco ao porto de Santos

Jenifer Ribeiro, da CNN Brasil, Brasília
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Há quase cinco anos, o governo anunciou com estardalhaço dezenas de projetos de novas ferrovias cortando todas as regiões do país, com investimentos bilionários em um novo modelo de autorização -- mais simples, ágil e promissor do que as concessões feitas pelo setor público.

Só agora, meia década depois, o primeiro empreendimento sai finalmente do papel. É um ramal de 54 quilômetros da gigante chilena de celulose Arauco, em Mato Grosso do Sul, que busca colocar a produção local na rota de escoamento pelo porto de Santos (SP).É a primeira malha totalmente privada, sob o modelo de autorização ferroviária, que avança efetivamente para a fase de implantação. As obras começaram em fevereiro.

O governo federal vê esse projeto como um marco simbólico para a política de autorizações, mas o ministro dos Transportes, Renan Filho, já deixou claro que não há nenhuma expectativa de tornar esse modelo de investimento uma prioridade da pasta. O ministério dá preferência ao caminho das concessões e anunciou oito leilões.

Em agosto de 2021, quando a nova política de autorizações ferroviárias foi lançada por meio de uma medida provisória (MP 1.065) e depois convertida em lei, a ideia era transformá-la em carro-chefe para um megaprograma de investimentos em trilhos.

Nesse novo formato, as ferrovias podem ser construídas e operadas pela iniciativa privada mediante o regime de autorização, uma aprovação da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), desde que cumpram etapas como licenciamento ambiental e aderência à política pública definida pelo Ministério dos Transportes.

Do total de requerimentos, a maior parte desistiu do projeto ou o prazo expirou antes mesmo de receber autorização. Atualmente, 42 projetos têm permissão da agência reguladora para serem instalados.