Auren reduz prejuízo a R$ 379,1 milhões no 2º trimestre

Geradora de energia controlada por Votorantim e CPP Investments divulgou que Ebitda ajustado, somou R$ 858,9 milhões, queda de 12,4% na base anual

Por Leticia Fucuchima, da Reuters
Compartilhar matéria

A Auren Energia reduziu o prejuízo no segundo trimestre e conseguiu capturar ganhos financeiros relevantes ​com modulação de seu portfólio de usinas hidrelétricas e eólicas, ​uma dinâmica que deve se acentuar no futuro devido à volatilidade de preços de energia no país, disseram executivos da companhia à Reuters.

A geradora de energia controlada por Votorantim e CPP Investments divulgou nesta quarta-feira (5) um prejuízo líquido de R$ 379,1 milhões entre abril e junho, 32,7% inferior à perda de R$ 562,9 milhões registrada um ano antes.

Já o lucro operacional, medido pelo Ebitda ajustado, somou R$ 858,9 milhões, queda de 12,4% na base anual, explicada principalmente por ⁠uma menor geração eólica e um resultado ​menor na atividade de comercialização.

Apesar da queda do Ebitda, a Auren elevou no trimestre os ​ganhos de modulação, que estão associados ao perfil horário de geração das usinas: suas hidrelétricas e eólicas conseguem ⁠produzir em horários em que a energia está mais ⁠cara, como no fim da tarde ou noite, em contraposição às solares, que geram ​quando ‌os preços estão mais baixos.

"Esse efeito do portfólio como um todo está funcionando de fato. Deixou de ser ⁠aposta, deixou de ser ficção e expectativa, agora a gente vê de fato acontecendo", disse o CEO da Auren, Fabio Zanfelice, à Reuters.

Os ganhos de modulação somaram R$ 70,5 milhões no trimestre, 75% acima do observado um ano antes, e ajudaram ‌a ⁠mitigar o efeito ‌negativo dos cortes de geração das eólicas e solares.

O diretor de relações com investidores da Auren, Marcelo Sá, destacou que esses ganhos devem se intensificar conforme aumenta a volatilidade de preços de energia no Brasil. "No ano passado, o ⁠total de modulação para o ano todo foi perto de ⁠R$200 milhões. Em 2026, em meio ano, a gente está quase nesse valor."

Para os preços de energia, a Auren espera que se situem ‌em patamares mais baixos do que os do início do ano, em torno de R$150/megawatt-hora no terceiro trimestre, apesar da elevada volatilidade intradiária. Já no quarto trimestre, a avaliação é de que os preços dependerão do efeito do fenômeno climático El Niño sobre o período úmido e as temperaturas.

Já para os cortes de geração ‌renovável, Zanfelice afirmou que a Auren calcula ter direito a uma compensação retroativa de R$300 milhões e ainda está avaliando se irá aderir à proposta do governo para ressarcimento. Os interessados precisam formalizar a intenção ⁠de aderir ao mecanismo em 10 de agosto.

CRESCIMENTO E ALAVANCAGEM

Sobre oportunidades de crescimento, o CEO disse que a Auren pretende participar do leilão de baterias, mas que um investimento efetivo no segmento dependerá de retorno adequado.

"Nós não temos ​essa limitação em si (pela alavancagem), nosso olhar aqui é retorno."

O índice de alavancagem da companhia, que alcançou 5,3 vezes ​ao final de junho, deve cair mais acentuadamente em 2027, como reflexo da redução do nível de investimentos e do aumento do Ebitda, em função de maiores preços médios em contratos de energia e entrada em operação de novo parque eólico, acrescentou o diretor de RI.

(Por Letícia ‌Fucuchima; edição de Roberto Samora)