Cidade paulista avança no saneamento e prevê R$ 1 bi em investimentos

Americana aderiu ao programa do governo do estado voltado à ampliação nos investimentos e ao cumprimento das metas de universalização até 2033, ano limite estipulado no Marco Legal

Rafael Villarroel, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

A cidade de Americana, no interior paulista, avançou mais um passo em saneamento e anunciou adesão ao programa UniversalizaSP, iniciativa do governo do estado voltada à ampliação dos investimentos para o segmento e ao cumprimento das metas de universalização dos serviços de água e esgoto até 2033, que foram estipuladas no Marco Legal, como 99% de atendimento com água potável e 90% em coleta e tratamento de esgoto.

O programa integra a estratégia do Governo do Estado para promover a regionalização dos serviços de saneamento, permitindo ganhos de escala, além de maior eficiência operacional e viabilização de investimentos estruturantes.

A iniciativa também reforça o compromisso com a melhoria da qualidade de vida da população, a preservação ambiental e a sustentabilidade dos serviços no longo prazo.

O projeto inicia em abril a fase de consulta pública e audiências públicas, com previsão de publicação do edital para a Parceria Público-Privada até agosto deste ano.

Em Americana, a expectativa inicial é de cerca de R$ 1 bilhão em investimentos na cidade, com parte dos recursos focados na modernização da infraestrutura, aumento da eficiência operacional, ampliação do atendimento à população e na execução de obras estruturantes de drenagem urbana.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do estado (Semil), a iniciativa representa um avanço relevante no planejamento do setor no município, permitindo acesso a estudos técnicos especializados, além de apoio na estruturação de projetos e avaliação de alternativas para ampliar a capacidade de investimento em saneamento.

Além disso, também há a previsão de repasses ao município ao longo do contrato, por meio de mecanismos como o Fundo Municipal de Saneamento, fortalecendo a capacidade local de investimento contínuo no setor.

Para o prefeito de Americana, a adesão da cidade ao programa "representa um passo estratégico para o futuro do município".

“Estamos estruturando o planejamento do saneamento em Americana com responsabilidade e base técnica. O programa amplia nossa capacidade de avaliar caminhos que garantam mais eficiência, qualidade e investimentos para a população”
Chico Sardelli, prefeito de Americana

Entre os principais desafios identificados no município, que fica a 132 quilômetros da capital paulista, está o alto índice de perdas de água. Estudos apontam a possibilidade de reduzir esse percentual de 51% para 25%.

Com o volume recuperado, a água poderia abastecer cerca de 200 mil pessoas, equivalente a aproximadamente 80% da população do município, sem a necessidade de novas captações.

Para chegar no resultado esperado, estão previstos investimentos em tecnologia e modernização dos sistemas, incluindo setorização das redes de abastecimento, implantação de sistemas de controle de pressão, ampliação da macromedição e micromedição, monitoramento remoto e em tempo real e programas contínuos de combate a perdas.

Além disso, o diagnóstico técnico indica a necessidade de melhorias estruturais importantes, como a modernização das estações de tratamento de água, a reforma da captação no Rio Piracicaba e a implantação de novas subadutoras em eixos estratégicos da cidade.

No eixo de esgotamento sanitário, o projeto prevê a reforma e ampliação das ETEs Carioba e Praia Azul, além da substituição e adequação de redes já existentes, ampliando a capacidade de tratamento e cumprimento de obrigações ambientais existentes.

Ainda segundo a Semil, também está prevista a implantação de tratamento terciário na ETE Carioba, contribuindo para a melhoria da qualidade dos corpos hídricos, como o Rio Piracicaba e a Represa do Salto Grande.

A iniciativa também contempla a expansão dos serviços para áreas ainda não atendidas, incluindo regiões urbanas, rurais e assentamentos informais, o que deve beneficiar diretamente cerca de 3,8 mil habitantes, que hoje não possuem acesso pleno aos serviços.