Com alta demanda, empresa investirá R$ 15 bi em data centers de IA
RT-One, empresa americana de tecnologia, tem projetos em andamento nas cidades de Uberlândia (MG) e Maringá (PR)

Diante da alta demanda por inteligência artificial, a RT-One, empresa americana de tecnologia com atuação global, está investindo cerca de R$ 15 bilhões de reais para construir os primeiros data centers dedicados à IA da América Latina.
Os previstos incluem um mega-campus em Uberlândia (MG), um segundo em Maringá (PR) e um terceiro local em fase de avaliação.
Ambos foram concebidos de forma diferente dos data centers tradicionais voltados principalmente para armazenamento em nuvem.
Os aportes financeiros serão feitos de forma gradual, acompanhando a expansão da demanda e da infraestrutura como um todo.
À CNN, o CEO da empresa, Fernando Palamone, afirmou que as obras devem começar em setembro, com a primeira entrega operacional prevista ainda para este ano.

Inicialmente será implantada toda a infraestrutura elétrica de alta tensão, incluindo as linhas de transmissão e subestações. Depois serão instalados os sistemas avançados de refrigeração líquida e os racks de alta densidade para IA.
Os edifícios terão apenas um pavimento, mas altos o suficiente para acomodar toda a infraestrutura de cabeamento e refrigeração acima dos equipamentos.
O primeiro campus em Uberlândia tem contratado 100 MW na fase inicial, que somado ao projeto no Paraná tem capacidade agregada inicial de até 200 MW, contando ainda com arquitetura modular que permite escalar cada campus para mais de 400 MW.

A ideia da companhia é posicionar o Brasil como um polo para processamento de IA e computação de alta densidade, oferecendo ao mercado global uma alternativa com infraestrutura de energia renovável, segurança avançada, além dos padrões internacionais de disponibilidade e eficiência energética.
“A nova geração de data centers nasce, portanto, mais preparada para atender às demandas da economia digital sem repetir os modelos de alto consumo do passado. Conciliar a expansão da computação em nuvem e da Inteligência Artificial com responsabilidade ambiental deixou de ser apenas uma possibilidade tecnológica. Já sendo um caminho viável, e necessário, para garantir infraestrutura digital de alta capacidade, preservando ao mesmo tempo os recursos naturais e o bem-estar das comunidades locais”, disse o executivo.
Ainda segundo Palamone, apesar da demanda muito maior por inteligência artificial, o Brasil ainda possui pouca capacidade instalada para processar esses dados, que só tende a aumentar diante do crescimento acelerado.
"Atualmente, cerca de 60% dos dados brasileiros são processados fora do país. Quando falamos especificamente de inteligência artificial, aproximadamente 95% do processamento ocorre em outros países, principalmente nos Estados Unidos e na Austrália (...) Isso demonstra que o Brasil possui um grande déficit de capacidade computacional para aplicações de alta performance e inteligência artificial", avaliou.
Para o desenvolvimento dos projetos, a empresa trabalhou com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e com a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais).
Segundo o CEO, foram escolhidas regiões onde existe excedente de energia elétrica, pois além de consumir essa energia, os data centers poderiam ajudar no equilíbrio da rede elétrica.
Em relação às cidades-sede para os dois centros, Palanome é categórico: "São Paulo e Rio estão saturados", em relacão a limitações de espaço, energia e mobilidade, afirmou.
Para ele, a companhia considerou Maringá e Uberlândia diante da disponibilidade para expansão, oferta de energia, presença de universidades, mão de obra qualificada, ecossistema de tecnologia e qualidade de vida oferecida.
"Uberlândia, por exemplo, possui um ambiente bastante desenvolvido de startups, inclusive na área de inteligência artificial, além de universidades e mão de obra qualificada. São fatores importantes para sustentar o crescimento desse tipo de empreendimento", comentou.