Comissário europeu visita projeto de terras raras da Viridis em MG

Projeto Colossus, em Poços de Caldas, é visto como um dos mais promissores do país e já recebeu sinalizações de apoio financeiro de bancos europeus para avançar na cadeia de terras raras

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
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O comissário da União Europeia para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, visitou o projeto de terras raras Colossus, da australiana Viridis Mining and Minerals, em Poços de Caldas, Minas Gerais, em meio à corrida de países ocidentais para reduzir a dependência da China em minerais críticos.

A visita ocorreu no sábado (20) e fez parte da missão oficial da União Europeia ao Brasil antes do Fórum de Investimentos UE-Brasil, em Brasília.

Segundo a Viridis, o comissário esteve acompanhado por integrantes de seu gabinete, representantes da Comissão Europeia, do Banco Europeu de Investimento e da Delegação da União Europeia no Brasil.

O projeto Colossus é considerado um dos mais promissores de terras raras em desenvolvimento no país. A empresa tem buscado posicionar o ativo como uma alternativa ocidental para o fornecimento de insumos usados em ímãs permanentes, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.

A visita ocorre em um momento em que a União Europeia tenta acelerar acordos com países fornecedores de minerais críticos. O bloco busca reduzir riscos de dependência de cadeias concentradas, especialmente em etapas de processamento e refino, hoje dominadas pela China.

No comunicado, a Viridis afirmou que as conversas trataram da criação de cadeias de fornecimento “seguras e resilientes” entre Brasil e Europa.

A empresa também disse que foram discutidos potenciais mecanismos de apoio para facilitar o desenvolvimento de projetos estratégicos de minerais críticos, com foco em dar mais segurança a investimentos, fortalecer cadeias de suprimento e acelerar a entrega dos projetos.

"Essas discussões fazem parte de um engajamento mais amplo e contínuo entre a Viridis e partes interessadas da União Europeia sobre um possível apoio futuro ao Projeto Colossus", diz a empresa.

A Viridis já recebeu sinalizações de interesse financeiro e institucional para o projeto.

O projeto recebeu uma carta de interesse não vinculante da Bpifrance Assurance Export, agência francesa de crédito à exportação. A instituição atua em nome do Estado francês na oferta de garantias e seguros para apoiar empresas e projetos com interesse estratégico para a França no exterior.

Além da frente financeira, a empresa tenta avançar na comercialização futura da produção.

A Viridis assinou uma carta de intenção não vinculante com a belga Solvay para fornecimento de carbonato misto de terras raras do Colossus. Pela proposta, o material brasileiro poderia ser processado pela Solvay em sua unidade de La Rochelle, na França, enquanto as empresas negociam um acordo definitivo de fornecimento.

Segundo a Viridis, o Colossus pode ajudar a atender objetivos industriais, tecnológicos e de transição energética da Europa.

A companhia também participou recentemente do Fórum de Investimento em Minerais Críticos do G7, em mais um sinal da tentativa de aproximar o projeto de governos e consumidores industriais de países ocidentais.

O interesse europeu no Colossus ocorre em meio a uma disputa global por terras raras.

Esses elementos são fundamentais para a produção de ímãs permanentes usados em motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e aplicações de defesa. A China domina grande parte da cadeia global, especialmente nas etapas de separação, refino e produção de ímãs.

O projeto Colossus fica no complexo alcalino de Poços de Caldas, região já conhecida por ocorrências minerais e por estudos ligados a terras raras.

A empresa planeja uma planta comercial para produção de carbonato misto de terras raras a partir de 2028.

Para o Brasil, o avanço das negociações ocorre em um momento de debate sobre como transformar reservas minerais em desenvolvimento industrial.

O governo brasileiro tem defendido que minerais críticos sejam usados para atrair investimentos em beneficiamento, refino, tecnologia e agregação de valor no país.