Demanda de energia de data centers dispara na CPFL, mas rede trava expansão

Alta de 35,8% no segundo trimestre reforça avanço do setor, mas limitações da infraestrutura elétrica impedem novas conexões e restringem o potencial de expansão 

Robson Rodrigues, da CNN Brasil, São Paulo
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O consumo de energia dos data centers voltou a acelerar na área de concessão da CPFL Energia no segundo trimestre de 2026, reforçando a pressão que a expansão da inteligência artificial e da computação em nuvem começa a exercer sobre a infraestrutura elétrica brasileira.

Em entrevista à CNN, CEO da CPFL Energia, Gustavo Estrella, disse que a demanda de eletricidade dessas instalações cresceu 35,8% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. O avanço supera o ritmo observado anteriormente e ocorre mesmo diante das limitações da rede para receber novos empreendimentos.

“Temos crescimentos expressivos de consumo de energia vindo de data centers de 35,8% na comparação com o trimestre do ano passado. É um desafio da indústria de crescer no seu potencial. Temos muitos pedidos de conexão de data centers que têm sido negados”, afirma Estrella.

O dado mostra uma nova aceleração de um movimento que já vinha ganhando força no começo do ano. Em maio, Estrella havia dito à CNN que a demanda de energia dos data centers na área da CPFL havia aumentado 24% entre 2025 e 2026, puxada principalmente por instalações voltadas à inteligência artificial e a serviços de computação em nuvem na região da Grande Campinas. Naquele momento, o segmento já correspondia a 8% do consumo da classe comercial da distribuidora.

A influência dos data centers sobre o mercado da companhia também já aparecia nos números de crescimento da classe comercial. O consumo desse grupo havia avançado 2,9%, dos quais aproximadamente 1,4 ponto percentual vinha exclusivamente da expansão dos centros de dados.

Agora, com a alta de 35,8% registrada no segundo trimestre, Estrella avalia que o movimento está longe de ser pontual e deverá continuar sustentando taxas elevadas de crescimento nos próximos períodos.

“Vejo o copo meio cheio de crescer com essa força no trimestre e que não é pontual (...). O copo meio vazio é reconhecer a dificuldade de expansão da rede para atender a demanda que tenho não apenas em nossa área de concessão, mas no Brasil inteiro”, diz.

O problema ganha dimensão adicional porque data centers possuem um perfil de consumo muito diferente do de clientes convencionais. As instalações operam de forma contínua, 24 horas por dia, concentram grande quantidade de equipamentos de processamento e ainda precisam de sistemas robustos de refrigeração. Em projetos de maior escala ligados à inteligência artificial, a demanda de um único complexo pode se aproximar do consumo de uma cidade de médio porte.

A Grande Campinas se consolidou como um dos principais polos desse mercado no país pela proximidade com a capital paulista, disponibilidade de fibra óptica, presença de empresas de tecnologia e condições de acesso ao sistema elétrico. O aumento da procura, porém, passou a exigir investimentos em linhas de transmissão, subestações e novos pontos de conexão para que a infraestrutura acompanhe o ritmo dos projetos.]

Para Estrella, além da expansão física da rede, outro fator considerado importante pela indústria é a criação de condições tributárias mais favoráveis ao setor. O executivo lembra que o mercado aguarda o Redata, iniciativa que prevê tratamento tributário específico para data centers e que, na avaliação dele, seria fundamental para permitir que a indústria ganhe escala.