Demanda por aço deve reagir em 2026, diz CEO da ArcelorMittal Pecém

Executivo aponta melhora na demanda interna por aço em setores como construção e automóveis, mas alerta para concorrência de importados chineses e impacto de tarifas dos EUA

Robson Rodrigues, da CNN Brasil, Ceará
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O mercado brasileiro de aço deve apresentar desempenho melhor em 2026 na comparação com 2025, avalia o CEO da ArcelorMittal Pecém, Erick Torres. Em entrevista à CNN, o executivo afirmou que alguns dos principais setores consumidores do produto já demonstram condições mais favoráveis de atividade.

Segundo Torres, áreas como construção civil, linha branca e até o setor automotivo indicam melhora nas perspectivas de demanda por aço no país. “Esses setores estão com condições de mercado melhores, o que tende a refletir em uma recuperação gradual do consumo de aço”, afirmou.

A expectativa de avanço no mercado doméstico, se deve a um movimento coordenado do setor siderúrgico de pressão no governo por medidas adicionais de defesa comercial diante do aumento das importações, especialmente vindas da China.

Torres destacou que o volume de aço importado no Brasil cresceu significativamente nas últimas duas décadas. De acordo com ele, esse avanço tem pressionado a competitividade da produção nacional.

“O crescimento de material importado foi de 160% nas últimas duas décadas. O aço importado chinês que chegou ao Brasil foi de 5,7 milhões de toneladas em 2025, quase duas vezes a produção da ArcelorMittal Pecém. Isso traz uma competição desleal com o aço produzido no Brasil”, disse.

O tema ganhou força recentemente após o governo brasileiro ampliar o número de NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) incluídas no sistema de cota-tarifa para produtos de aço que excederem limites de importação. Além disso, foi aberta uma investigação antidumping envolvendo 25 produtos siderúrgicos de origem chinesa.

As medidas atendem a demandas do setor por maior proteção comercial e seguem movimentos semelhantes adotados por países da Europa e da América do Norte.

Para o executivo, o custo de produção do aço chinês não estaria dentro de uma faixa considerada natural de mercado, o que levanta questionamentos sobre as condições de concorrência internacional.

Segundo ele, o custo de produção chinesa não está dentro de uma “faixa natural”, o que interfere na competição leal de mercado.

No cenário externo, a siderurgia brasileira também enfrenta desafios. Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor tarifas de 50% a produtos brasileiros (entre eles o aço), exportadoras como a ArcelorMittal Pecém passaram a enfrentar maior dificuldade para competir no mercado americano.

Diante disso, empresas com produção local nos Estados Unidos, como a Gerdau, acabam tendo vantagem competitiva nesse ambiente tarifário. Ainda assim, o executivo afirma que o mercado americano continua estratégico para a companhia.

“O mercado americano ainda é muito atrativo mesmo com a taxação, porque permite colocar aço de alto valor agregado. Por isso conseguimos nos manter nesse mercado”, afirmou.

* O repórter viajou a convite da Federação das indústrias do Estado do Ceará