Digitalização e IA avançam nas rodovias e mudam a lógica da infraestrutura
Em artigo à CNN, Pedro Fornari, CEO da Kartado, fala como a tecnologia pode auxiliar na qualidade de rodovias que ainda não foram concedidas, diminuindo, por exemplo, o número de buracos na via

O uso de IA (Inteligência Artificial) é uma tendência na administração da malha rodoviária brasileira. Em Minas Gerais, os benefícios do uso da tecnologia já podem ser vistos: houve redução de 80% no número de buracos em estradas sob responsabilidade do Estado de acordo com ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG), reflexo da possibilidade de acompanhamento contínuo e da agilidade nas ações de manutenção a partir da digitalização de dados.
E não é só no estado mineiro. A Kartado, startup brasileira especializada na digitalização de informações para o setor de infraestrutura, atende mais de 50% das concessionárias de rodovias no país e dados obtidos entre os clientes apontam que o uso dessas tecnologias resultaram em até 98% na economia de tempo em processos operacionais: a redução na geração de relatórios caiu de 8 horas manuais para 10 minutos automáticos. Com a administração de dados obtidos em campo, quando os trabalhadores passaram do uso de papel ou aplicativo de mensagens para uma tecnologia dedicada, a economia de tempo chegou a 75%.
A IA – com a capacidade de integração de fontes de dados, automação de tarefas, bem como de tomada de decisão e a velocidade de ação – irá mudar o jogo para o setor e resolver dores históricas do setor de infraestrutura. Será praticamente como se os gestores conseguissem conversar com seus ativos para otimizar os recursos e prestar um serviço melhor para a população.
Hoje, segundo a consultoria McKinsey & Company, empresas que ainda não têm uma boa governança de dados gastam cerca de 30% do tempo total dos serviços prestados em tarefas relacionadas à coleta, preparação e correção de dados devido à baixa qualidade ou falta de disponibilidade deles, o que limita a capacidade de uso dessas informações para análises e decisões estratégicas.
Já de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o segmento está entre os menos digitalizados do país, muito dependente de papel, comunicação informal, pouca automação e monitoramento em tempo real, além de baixa integração de dados. Muitas vezes, dados inseridos manualmente em planilhas precisam ser revisados e padronizados, um processo que toma tempo, reduz produtividade e aumenta o risco de inconsistências.
Em contrapartida, quando a gestão de dados é feita de forma estruturada, integrada e orientada a processos, o impacto vai além da organização de informações. Exemplo disso é a BR-040, com 881 quilômetros de extensão e que faz a ligação entre a divisa com Goiás até o Rio de Janeiro. É um dos corredores mais movimentados e estratégicos do país, cortando Belo Horizonte e o coração de áreas de mineração, siderurgia e agronegócio. A nova tecnologia permitiu o registro de 176.073 anotações ou relatórios técnicos de problemas, buracos, rachaduras ou defeitos no pavimento e na sinalização ao longo de 8 anos — o que possibilitou a solução desses problemas com rapidez.
A tendência é que a tecnologia aliada à inovação ajude as concessionárias a manterem a posição e a melhorarem os serviços. A tecnologia permite conectar eficiência operacional com transparência regulatória e modernização. Pelo menos 80% das 20 melhores concessões rodoviárias já digitalizam informações, o que as ajuda a garantir um melhor atendimento do contrato: ao saber mais rápido onde estão os problemas, conseguem avaliar a criticidade para definir quais deles precisam ser resolvidos primeiro, sejam buracos, placas danificadas ou vegetação alta, por exemplo. Além de garantir a segurança da população, protege a concessão do risco contratual de uma eventual multa, que pode chegar a milhões de reais.
A iniciativa que tem sido positiva para as concessões rodoviárias também pode ser vantajosa para outras empresas do setor de infraestrutura. Seja para quem atua na prestação de serviços como energia, saneamento, até portos e aeroportos, o acesso facilitado a informações por meio da digitalização agiliza análises, permite melhor tomada de decisões pelo gestor e um melhor serviço em geral para a população.
* Pedro Fornari é especialista em transformação digital na infraestrutura pública e CEO da Kartado
