Dois anos após privatização, Sabesp chega ao pico de obras, afirma CEO

Em entrevista à CNN, Carlos Piani cita modernização e ampliação das ETEs Barueri e Parque Novo Mundo, além de troca e avanço das redes; Guarulhos, segundo maior município do estado, chegará a 70% de tratamento de esgoto no fim de 2026

Daniel Rittner e Fabrício Julião, da CNN Brasil, Brasília e São Paulo
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Pouco mais de dois anos após sua privatização, a Sabesp se aproxima do pico de obras civis e de execução dos investimentos previstos contratualmente, o que deve ocorrer entre o fim de 2026 e 2027, segundo o CEO da companhia paulista de saneamento básico, Carlos Piani.

Em entrevista ao Conexão Infra, programa semanal da CNN, Piani citou a modernização e ampliação de duas estações de tratamento de esgoto na região metropolitana de São Paulo como exemplos. Ambas ficarão prontas no ano que vem.

A ETE Barueri, inaugurada em 1988 e maior estrutura do gênero na América Latina, terá sua capacidade média expandida de 16 mil para 22,5 mil litros por segundo.

Outra estação, a ETE Novo Mundo, será a maior do mundo usando a tecnologia Nereda -- tida como mais sustentável e capaz de tratar as águas residuais de forma mais robusta. Ela passará de 1,5 mil para 5 mil litros por segundo.

"Nos últimos dois anos, fizemos investimentos de mais de R$ 21 bilhões. Foram R$ 15,2 bilhões só no ano passado. É um volume quase três vezes maior do que a Sabesp fazia historicamente como estatal", disse Piani.

O contrato de privatização da empresa prevê a universalização dos serviços em 2029 -- quatro anos antes do prazo dado pelo marco legal do setor.

"Hoje estamos à frente das nossas metas sobre distribuição de água potável e muito próximos em coleta e tratamento de esgoto", afirmou o executivo.

O número de frentes para a instalação de novas redes ou modernização das tubulações existentes deve mais do que dobrar nos próximos meses.

Um dos efeitos mais sentidos deverá ser em Guarulhos, segundo maior município do estado, que tem 1,2 milhão de habitantes e é uma das principais fontes de poluição do rio Tietê.

Até 2018, quando era atendido por um serviço autônomo municipal, Guarulhos tinha um índice de cobertura de apenas 2% -- quase todo o esgoto era despejado in natura nos rios ou, no máximo, ia para fossas sépticas.

Esse índice subiu para 40% no início de 2026, deve alcançar a 70% no fim do ano e chegar à universalização em 2029.

Para fazer frente ao volume de investimentos, a Sabesp precisou buscar R$ 32 bilhões em financiamentos desde sua privatização, segundo Piani.

"Nosso custo médio de captação é muito reduzido. O custo médio da dívida é CDI 'careca', sem spread, mas sofremos com o nível do CDI [em níveis historicamente altos]", observa.

Outro ponto de atenção foram mudanças nos processos internos. "Montamos uma área de suprimentos, completamente segregada da área de operações, alteramos o nosso formato de contratação, prevendo a quebra de grandes contratos em contratos menores, separamos equipamentos lineares de não lineares."

Apesar dos avanços, ao falar sobre a volta da despoluição dos rios Tietê e Pinheiros, Piani trata de conter as expectativas.

"A poluição dos corpos hídricos tem vários fatores contribuintes. Um dos principais é o lançamento de esgoto in natura, mas há uma contribuição da drenagem inadequada, do lixo que chega após uma chuva forte, da destinação de produtos químicos", argumentou.

"Vamos reduzir -- e muito -- a poluição. Faremos a nossa parte, universalizando a coleta e o tratamento de esgoto. Mas, para que eles [os rios] fiquem saudáveis e navegáveis, essas demais áreas precisam avançar."