Excesso de energia leva a cortes massivos de energia renovável
Segundo diretor da Aneel, subsídios mal calibrados levam a desperdício e expõem desequilíbrio no setor

O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval Feitosa, afirmou que o Brasil enfrenta atualmente um cenário de sobreoferta de energia, o que tem levado o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) a realizar cortes frequentes na geração de energia renovável.
Os cortes ocorrem por três principais razões: falhas ou atrasos na infraestrutura de transmissão, como linhas danificadas; limitações na capacidade de escoamento da rede; e o excesso de oferta em relação à demanda.
No primeiro caso, quando o problema está relacionado à transmissão, os geradores podem ser ressarcidos. Já nas situações em que há saturação das linhas ou excesso de energia no sistema, não há compensação financeira.
Segundo Feitosa, isso ocorre por sinais errados de subsídios que colocaram o Brasil em uma condição de sobrecapacidade de geração de energia.
Um exemplo é da geração distribuída, que são painéis solares instalados em telhados e pequenos terrenos. O ONS não tem controle sobre essa forma de geração e precisa cortar a energia de grandes usinas.
“Esses incentivos de geração distribuída não são controlados, e o ONS precisa cortar geração centralizada”, disse durante o evento CNN Talks.
“Já chegamos a cortar quase 90% da energia renovável. Todos os dias o operador desliga energia equivalente ao consumo da França e da Espanha juntos”, acrescenta.
De acordo com o diretor da Aneel, a expansão acelerada da geração distribuída ocorre de forma pouco coordenada, o que aumenta a pressão sobre o sistema elétrico e obriga o ONS a reduzir a geração centralizada.
Para Feitosa, o problema revela um desequilíbrio estrutural no setor elétrico brasileiro, em que a expansão da oferta não tem sido acompanhada pelo crescimento da demanda nem pela adequada infraestrutura de transmissão.
O deputado federal Arnaldo Jardim defende uma solução, já que o Brasil hoje desperdiça energia limpa e renovável e muitas vezes precisa compensar a oferta de energia em momentos de pico com energia vinda de termelétricas.
“Precisamos debater hidrelétricas reversíveis e baterias para atender a demanda em horários que não temos produção de energia solar e eólica”, disse.


