FMI diz que países deveriam evitar subsídios aos combustíveis
Em meio à escalada no Oriente Médio, Fundo Monetário defende apoio focalizado à população e desaconselha medidas que reduzam artificialmente o preço da energia

A guerra no Oriente Médio intensificou as tensões sobre uma situação fiscal global já frágil, com taxas de juros mais altas e aumento dos preços da energia alimentando pedidos de suporte dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento, disse o FMI (Fundo Monetário Internacional) nesta quarta-feira (15) em seu relatório Monitor Fiscal.
Rodrigo Valdes, o novo chefe de assuntos fiscais do FMI, disse à Reuters que os países deveriam evitar subsídios aos combustíveis para ajudar seus cidadãos a lidar com a escassez de petróleo e o correspondente aumento nos preços da energia: "Transferências de dinheiro temporárias e direcionadas que não mascarem os preços mais altos seriam uma opção muito melhor".
"Não temos petróleo. Não temos energia. A energia precisa ser mais cara para todos, para que o ajuste aconteça e consumamos menos", disse Valdes.
Na terça-feira, o FMI reduziu sua perspectiva de crescimento global devido aos picos dos preços de energia provocados pela guerra e às interrupções no fornecimento, alertando que a economia global pode ser levada à beira da recessão se o conflito piorar e o petróleo permanecer acima de US$100 por barril até 2027.
"Trata-se de um choque global e, se os países suprimirem o sinal de preço, o preço global será mais alto. É muito importante dar sinais de preço para que a demanda possa se ajustar", explicou Valdes.
Ele afirmou, ainda, que os controles de exportação, a extensão dos danos à infraestrutura de energia e a capacidade de outros países de aumentar a produção de petróleo moldarão a avaliação do impacto da guerra e suas implicações.
Segundo Valdes, depois que as condições se estabilizarem, é fundamental que os países mantenham o foco nos desafios de longo prazo, já que a dívida pública continua a aumentar, impulsionada pela expansão dos gastos permanentes em programas sociais ou pela redução das receitas, principalmente em algumas das maiores economias.
A dívida pública global atingiu 93,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, um aumento de quase dois pontos percentuais em relação aos 92% do ano anterior, e deverá atingir 100% do PIB em 2029, um ano antes do previsto há apenas um ano, de acordo com o último Monitor Fiscal do FMI.
Isso representaria o maior ônus da dívida pública desde o período posterior à Segunda Guerra Mundial, segundo o relatório. A expectativa é de que a dívida pública continue aumentando e possa chegar a 102,3% do PIB até 2031.
Os pagamentos de juros também cresceram acentuadamente, atingindo quase 3% do PIB em 2025, em comparação com 2% há quatro anos, informou o FMI.


