Free flow: Tarcísio vira o principal alvo de críticas nas redes sociais

Levantamento da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da FGV cerca de 300 mil menções ao tema, entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, em plataformas como X, Instagram, YouTube, Facebook, Bluesky e fóruns online

Jenifer Ribeiro, da CNN Brasil, Brasília
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é o principal alvo de críticas nas redes sociais quando o assunto é pedágio eletrônico.

É o que aponta levantamento da FGV Comunicação (Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getúlio Vargas), elaborado a pedido da CNN, que analisou cerca de 300 mil menções ao tema, entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, em plataformas como X (antigo Twitter), Instagram, YouTube, Facebook, Bluesky e fóruns online.

O estudo também mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em cerca de 4% das menções sobre pedágios, geralmente como contraponto em críticas ao governador de São Paulo. Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, surge com cerca de 3% das citações, também associado à implementação do modelo free flow em rodovias estaduais.

De acordo com o estudo, Tarcísio aparece em aproximadamente 22% das publicações sobre pedágios, sendo o político mais associado ao tema. O volume de menções cresceu significativamente ao longo do último ano, com um aumento de 5,7 vezes na média mensal de posts no segundo semestre de 2025, em comparação com os primeiros seis meses do ano. Em 2026, o patamar recuou, mas segue elevado.

O levantamento destaca ainda que essa associação tem forte caráter negativo. Os conteúdos com maior engajamento -- incluindo os 25 posts mais relevantes -- são majoritariamente críticos ao modelo de pedágio e citam diretamente o governador paulista.

Segundo a FGV, esse movimento é impulsionado principalmente por perfis alinhados à esquerda.

Apesar da repercussão, o tema ainda ocupa espaço limitado no universo geral de menções ao governador. As publicações sobre pedágio representam cerca de 1% do total de conteúdos relacionados a Tarcísio nas redes, indicando que, embora sensível, a pauta ainda não domina a narrativa digital sobre o político.

Free flow no Brasil

O free flow passou a valer no Brasil em 2023 em um ambiente de experimentação regulatória em São Paulo. A primeira empresa a implementar o sistema foi a Motiva, com a concessão RioSP, que abrange a Rio-Santos (BR-101) e Via Dutra.

No início da cobrança do free flow, na Rio-Santos, a Motiva enfrentou alguns desafios com a inadimplência, porém, atualmente a quantidade de pagantes na rodovia chega a 94%.

Outra dificuldade identificada no início da concessão foi a cobrança da tarifa para caminhões, tendo em vista que a cobrança desse tipo de veículo é feita por eixos. Porém, o Gerente Executivo de Estratégia de Operações da Motiva, Jorge Pereira, explicou que atualmente esses erros são “pontuais” e quando há divergência é feita uma checagem manual.

O executivo também falou sobre a experiência da concessionária com o pagamento proporcional do free flow na Via Dutra. Atualmente, a tarifa cobrada na rodovia é dinâmica e está ligada ao tráfego, “se tiver mais tráfego, por exemplo, essa tarifa fica maior como se fosse um desincentivo para sempre garantir a fluidez na via expressa”, disse.

Quando foi anunciado, o free flow foi vendido como um sistema de pagamento  com cobrança proporcional ao uso, o que viabiliza uma redução de custos para os passageiros. Porém, o governo adiou esses planos e iniciou o pedágio eletrônico somente como um substituto das praças físicas.