Gás da União deve chegar à indústria a US$ 9 por milhão de BTU, diz PPSA

Estimativa para o gás do leilão inclui impostos, transporte e distribuição; Paroli, presidente da PPSA, projeta economia de US$ 3 a US$ 4 por milhão de BTU frente aos preços atuais

Robson Rodrigues, da CNN Brasil, São Paulo
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O gás natural da União que será vendido no primeiro leilão da PPSA (Pré-Sal Petróleo) deve chegar à indústria por cerca de US$ 9 por milhão de BTU, já considerando impostos, transporte e distribuição. A estimativa é do diretor-presidente da estatal, Luís Fernando Paroli, que projeta uma economia de US$ 3 a US$ 4 por milhão de BTU em relação aos preços atualmente pagos pelas empresas.

O certame está marcado para 22 de outubro e terá oferta de até 1,1 milhão de metros cúbicos de gás por dia. O fornecimento está previsto para ocorrer entre março e dezembro de 2027.

“Já considerando tudo, provavelmente esse gás vai chegar na ordem de 9 dólares. A preços de hoje, US$ 3, US$ 4 mais barato do que o preço que as indústrias estão pagando”, afirmou em entrevista exclusiva à CNN.

Ao detalhar a projeção, Paroli também mencionou uma faixa de US$ 9 a US$ 10 por milhão de BTU para o combustível entregue à indústria. Ele ressaltou, contudo, que o valor efetivo dependerá da competição no leilão e poderá variar entre os setores participantes.

“O preço final e a economia serão determinados pelo mercado. A gente fará o leilão em cinco etapas, e as indústrias competirão só entre os seus setores. E aí a gente vai saber qual é o preço de equilíbrio entre os custos e a capacidade de pagamento dessas empresas.”

A distribuição inicial segue as regras estabelecidas no edital, que estabelece quantidades diferentes para os cinco setores prioritários da indústria de base: Químico e petroquímico (350 mil m²/dia); siderúrgico, metalúrgico e mineração (320 mil m²/dia); ceramista (200 mil m²/dia); fertilizantes (130 mil m²/dia); e vidreiro (100 mil m²/dia).

A concorrência ocorrerá entre empresas do mesmo grupo, respeitando os volumes reservados a cada um.

Segundo Paroli, a disputa começará com o preço do gás em torno de US$ 5 por milhão de BTU. A esse valor serão acrescentados os tributos e os custos necessários para levar o combustível até as unidades industriais.

“Aquilo que o ministro [de Minas e Energia, Alexandre Silveira] disse que ia acontecer aconteceu. Nós começaremos esse leilão com gás em torno de US$ 5 o milhão de BTU, e isso é uma diferença muito grande”, disse.

O edital estabelece que o preço será calculado mensalmente com base em 115% da média das cotações dos contratos futuros de Henry Hub, referência americana para o gás natural, acrescidos de um adicional definido na disputa. Esse adicional será o principal elemento de competição entre os compradores: vencerão as ofertas com os maiores valores.

Na comparação com o mercado, Paroli citou preços vinculados a percentuais entre 10% e 12% da cotação do Brent, referência internacional para o petróleo. Para ilustrar essa relação, utilizou como exemplo um cenário com o barril a US$ 100.

Na avaliação do presidente da PPSA, a intensidade dessa competição poderá produzir preços diferentes entre os segmentos.

“Em alguns setores mais competitivos, que têm mais indústrias para competir no leilão, possivelmente o preço será um pouco mais alto”, afirmou.

O gás será disponibilizado na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras, no Rio de Janeiro. A partir desse ponto, os compradores deverão providenciar o transporte e os demais serviços necessários à entrega nas fábricas, diretamente ou por meio de uma comercializadora.