Gigantes chinesas sondam mineração no Brasil e perguntam sobre nova lei
Fórum em Pequim reuniu cerca de 60 empresas e investidores chineses; grupos demonstraram interesse em projetos de bauxita, ferro, cobre, ouro e níquel e buscaram informações sobre o PL dos minerais críticos

Grandes mineradoras, grupos industriais e fundos chineses demonstraram interesse em ampliar investimentos no setor mineral brasileiro durante um fórum realizado em Pequim e buscaram entender como as novas regras para minerais críticos poderão afetar negócios no país.
O encontro reuniu cerca de 20 representantes brasileiros, entre executivos de mineradoras juniores, advogados e integrantes do setor, e aproximadamente 60 representantes de empresas, grupos e fundos chineses.
Entre os participantes estavam nomes como CMOC, China Nonferrous e MMG, além de investidores interessados em conhecer projetos minerais em desenvolvimento no Brasil.
Segundo uma fonte que participou das discussões, houve forte interesse na jurisdição brasileira e em oportunidades envolvendo diferentes commodities, principalmente bauxita, minério de ferro, cobre, ouro e níquel.
Representantes chineses também fizeram questionamentos sobre o PL 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e estabelece novas regras para o setor. O projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional e aguarda sanção presidencial.
Um dos principais pontos do texto é a criação do CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), ligado à Presidência da República. O colegiado terá poder para homologar operações envolvendo projetos e ativos considerados estratégicos e, na prática, poderá barrar negócios submetidos à sua avaliação.
Os critérios que definirão quais operações terão de passar pelo conselho ainda deverão ser detalhados na regulamentação. Durante a tramitação do projeto, empresas e associações do setor defenderam parâmetros objetivos para evitar que operações rotineiras sejam submetidas ao colegiado e reduzir a margem de discricionariedade do governo.
A percepção entre os participantes brasileiros foi de que os investidores chineses buscavam entender justamente como o novo marco poderá afetar futuras aquisições, financiamentos e investimentos no setor mineral brasileiro.
Representantes do MME (Ministério de Minas e Energia) e da ApexBrasil também participaram do encontro.
Terras raras
Também houve conversas envolvendo projetos de terras raras entre representantes brasileiros e agentes privados chineses.
Segundo a fonte ouvida pela CNN, porém, as discussões não ocorreram no sentido de uma negociação estratégica entre Brasil e China pelo controle ou fornecimento desses minerais.
As conversas tiveram caráter principalmente comercial, com investidores buscando entender oportunidades específicas em projetos brasileiros.
O interesse ocorre em um momento de maior disputa internacional por ativos de terras raras e outros minerais críticos, mas, no encontro em Pequim, a procura chinesa não ficou restrita a esses minerais e alcançou diferentes segmentos da mineração brasileira.


