Governo busca solução "estrutural" para orçamento de agências reguladoras

Ministério do Planejamento e Casa Civil começar a analisar formas de blindagem mínima de recursos orçamentários para garantir mais previsibilidade aos órgãos de fiscalização

Daniel Rittner, da CNN Brasil, Brasília
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Pressionado pelo Congresso Nacional e até pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca uma solução "estrutural" para o problema financeiro das agências reguladoras, blindando parte de seus recursos orçamentários e dando mais previsibilidade ao funcionamento delas.

A CNN apurou que o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e a Casa Civil iniciaram discussões sobre o assunto. No entanto, uma proposta só deve ser feita depois das eleições presidenciais de outubro e em caso de vitória do petista.

As conversas no governo ainda são embrionárias, mas auxiliares de Lula avaliam que há três movimentos paralelos para dar mais autonomia financeira aos órgãos reguladores.

  • O PLP 73/2025, recém-aprovado pelo Senado e à espera de tramitação na Câmara dos Deputados, que altera a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e impede limitação das despesas de agências.
  • A possibilidade de derrubada do veto presidencial ao dispositivo da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026 que blinda essas autarquias contra bloqueios ou contingenciamentos.
  • Decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que obrigou o governo a destinar pelo menos 70% da arrecadação da taxa de fiscalização dos mercados de títulos à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e determinou a apresentação de um plano emergencial de reforço em suas atividades fiscalizatórias.

Segundo relatos feitos à CNN por fontes do governo, a decisão de Dino é a que tem mais potencial de gerar reflexos no curto prazo porque abre um precedente e pode se espalhar para outras agências, conforme o entendimento do STF.

Uma ideia aventada por assessores presidenciais é criar um "orçamento mínimo" de proteção às atividades das agências, com receitas próprias que sirvam como base.

Um ponto lembrado por pessoas que lidam com o tema, porém, é que nem todos os órgãos reguladores têm arrecadação própria suficiente.

Algumas, como Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), têm fontes de financiamento independentes -- taxas de fiscalização que acabam sendo usadas indevidamente pelo governo e destinadas para o resultado primário do Tesouro Nacional.

Outras, como a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), dispõem de menos receitas próprias e dependem mais do repasse de recursos da União.

Por isso, alguns funcionários do governo dedicados ao tema defendem que haja uma espécie de "conta única" entre as agências reguladoras -- não necessariamente um fundo -- em que seria contabilizada toda a receita gerada por vias próprias, independentemente do guichê de entrada (a agência).

Depois, os recursos seriam distribuídos de forma proporcional entre os diversos órgãos reguladores, respeitando suas necessidades mínimas.