Governo vê hidrelétrica reversível como solução para ‘rampa do pôr do sol’

Secretário-executivo do MME afirma que Brasil reúne condições naturais favoráveis para sistemas de armazenamento hidráulico, enquanto EPE já prepara inclusão da tecnologia nos próximos planos decenais

Robson Rodrigues, da CNN Brasil, Brasília
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O governo federal avalia que as usinas hidrelétricas reversíveis devem ganhar espaço no planejamento energético brasileiro como alternativa para dar mais flexibilidade e resiliência ao sistema elétrico diante do avanço das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica.

Em evento da Copel promovido pela Megawatt, em Brasília, o secretário-executivo do MME (Ministério de Minas e Energia), Gustavo Ataide, afirmou que os sistemas de armazenamento hidráulico — chamados por ele de “baterias naturais” — podem ajudar o país a enfrentar a chamada “rampa de saída do sol”, período do fim da tarde em que a geração solar cai rapidamente enquanto o consumo de energia aumenta.

Segundo Ataide, o Brasil possui vantagens naturais para o desenvolvimento desse tipo de empreendimento. “Temos condições naturais e topografia favoráveis. Temos condições de capturar sinergias com reservatórios existentes”, disse o secretário durante o evento.

As hidrelétricas reversíveis funcionam com dois reservatórios em diferentes níveis de altitude. Em momentos de sobra de energia no sistema, a água é bombeada para o reservatório superior. Quando há aumento da demanda, a água retorna passando por turbinas e gerando eletricidade. O modelo é visto internacionalmente como uma das principais formas de armazenamento de energia em larga escala.

A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) já incluiu baterias eletroquímicas nos estudos do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), mas, segundo Ataide, a expectativa é que as próximas edições do planejamento passem a incorporar também usinas reversíveis, diante dos atributos operacionais oferecidos pela tecnologia.

O avanço da discussão ocorre em meio à crescente preocupação do setor elétrico com a necessidade de flexibilidade operativa do sistema. Com a expansão acelerada da geração solar distribuída e centralizada, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) tem enfrentado desafios maiores para equilibrar oferta e demanda ao longo do dia, especialmente nos horários de transição entre a forte geração solar do meio-dia e o pico de consumo noturno.

O governo também já iniciou estudos mais estruturados sobre o tema. Resoluções recentes do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) determinaram a realização de análises sobre reservatórios com potencial para implantação de usinas reversíveis no país.

* O repórter viajou a convite da Copel