Graphcoa vê mercado ocidental como prioridade e espera licenças em 2026

Ricardo Alves, diretor-executivo da Graphcoa, diz que Brasil pode avançar no processamento de grafite, mas afirma que etapa de esferonização depende da atração da cadeia de baterias ao país

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
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A Graphcoa vê Estados Unidos, Europa e o mercado brasileiro como destinos prioritários para sua produção de grafite, em meio à reorganização global das cadeias de minerais críticos e à tentativa de reduzir a dependência da China em insumos usados em baterias.

A avaliação foi feita por Ricardo Alves, diretor-executivo da Graphcoa, em entrevista ao Mapa da Mina desta semana.

“Olhar para os EUA, para a Europa e para o nosso mercado interno é uma questão de pragmatismo. É onde a nova demanda por grafite pode acontecer”, afirmou.

A China domina a cadeia global do grafite, tanto na produção quanto, principalmente, nas etapas de processamento necessárias para transformar o mineral em insumo usado em baterias. Segundo Alves, esse cenário torna mais difícil uma estratégia voltada ao mercado chinês e faz do Ocidente um parceiro natural para projetos brasileiros.

O executivo afirmou que a produção de concentrado de grafite no Brasil já abre espaço para uma etapa maior de verticalização. O próximo passo, porém, exige a instalação de fases mais sofisticadas da cadeia, como purificação, esferonização e revestimento, processos necessários para transformar o grafite em material de anodo para baterias.

Segundo Alves, para que essa etapa avance no país, será necessário atrair também parte da cadeia de baterias para o Brasil.

Sobre o projeto Jordânia, em Minas Gerais, considerado o principal salto de escala da Graphcoa no país, Alves afirmou que a empresa espera obter as licenças prévia e de instalação até o fim deste ano.

“É um licenciamento bifásico. Esperamos a licença prévia e a licença de instalação até o final deste ano, para avançar com o processo de decisão de investimento no segundo trimestre de 2027”, afirmou.

O projeto é visto pela companhia como peça central para ampliar a produção de grafite no Brasil e posicionar o país em uma cadeia hoje altamente concentrada na Ásia.

Falando pela AMC (Associação dos Mineiros Críticos), o executivo também afirmou que a regulamentação do conselho de minerais críticos precisa trazer critérios objetivos para definir quais projetos devem ser analisados pelo governo.

Segundo ele, a entidade defende regras claras para evitar que o conselho vire uma camada adicional de burocracia ou gere insegurança para investidores.