Ibama autoriza Petrobras a perfurar novos poços na Margem Equatorial

Autorização representa novo passo para o estudo do potencial das reservas na Margem Equatorial

Patrick Palhares e João Nakamura, da CNN Brasil*, em São Paulo
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O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) concedeu à Petrobras autorização para a perfuração de três novos poços exploratórios na Margem Equatorial. O bloco FZA-M-59 fica localizado em águas ultraprofundas no estado do Amapá.

A informação foi antecipada pela Reuters e confirmada pelo órgão e pela petroleira à CNN Money.

Em nota, a empresa esclarece que as perfurações já estavam previstas no Estudo de Impacto Ambiental e no Relatório de Impacto Ambiental que resultaram na autorização do poço firme denominado Morpho, em outubro de 2025, mas permaneceram em avaliação até esta semana.

A nova autorização diz respeito a três poços contingentes, denominados Manga, Crotalus e Morpho Extensão, que devem ajudar a estatal a compreender as dimensões das reservas na região.

O Ibama também afirma que a retificação da Licença de Operação nº 1684/2025, emitida nesta quinta-feira (3), acontece depois que a companhia apresentou as informações complementares solicitadas pelo órgão.

Próximos passos

Segundo decisão assinada por Jair Schmitt, diretor-geral da agência, a Petrobras conta agora com um prazo de 30 dias a partir do recebimento da retificação para apresentar um cronograma de perfuração atualizado.

O documento também reúne uma série de medidas que a companhia precisa cumprir para manter a autorização, como a implementação de planos de monitoramento de impactos ambientais, projetos de controle de poluição, produção de relatórios e disponibilização de equipamentos para vistoria ambiental.

Os novos poços consolidam um progresso da companhia nos esforços para avaliar se as operações na Margem Equatorial seriam comercialmente viáveis.

Reposição de reservas

A autorização representa um novo passo na direção da exploração da Margem Equatorial.

Após anos de impasse entre alas políticas e técnicas do governo sobre a autorização para o estudo da área pela petroleira, em outubro de 2025, a companhia obteve a primeira autorização para a perfuração do poço firme inicial, Morpho.

No início deste ano, porém, as operações foram temporariamente paralisadas após a equipe da empresa perceber uma queda no nível do fluido de perfuração nos tanques da plataforma utilizada, indicando que parte do material estava sendo perdida.

Após quase um ano de trabalho, em agosto de 2026, a companhia confirmou pela primeira vez a presença de hidrocarbonetos na área. Na ocasião, Magda Chambriard, presidente da companhia, afirmou que a descoberta reforçava as expectativas de que a região possa ajudar a compensar o futuro declínio da produção do pré-sal.

“Descobrimos óleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59. É uma descoberta fruto de anos de trabalho, com tecnologia embarcada e muitos investimentos, e confirmou o potencial relevante de petróleo na Margem Equatorial, no litoral do Estado do Amapá”, destacou Chambriard em coletiva de imprensa após a descoberta.

Após a descoberta, analistas consultados pelo CNN Money chegaram a afirmar que a Margem Equatorial tem potencial para ser "um novo pré-sal", por conta de seu potencial em termos de volume de barris, visando compensar o declínio da produção na outra região.

*com informações da Reuters