Iconic anuncia tanques de refrigeração por imersão para data centers
Modelos de demonstração chegam no segundo semestre; empresa busca quebrar resistências à nova tecnologia

A Iconic anunciou a chegada ao Brasil, no segundo semestre de 2026, de seus primeiros tanques para refrigeração de racks computacionais por imersão. Os equipamentos são voltados ao mercado de data centers de alto desempenho, que está em expansão. A Iconic é uma joint-venture entre o grupo Ipiranga e a Chevron.
Duas unidades vão servir para demonstração da tecnologia. Um dos tanques será instalado em um hub tecnológico na capital paulista. O outro vai ser apresentado em feiras do setor.
Marcelo Guimarães, gerente executivo empresa, explicou à CNN que a iniciativa busca vencer resistências ao modelo. “Existem desconhecimento e mitos sobre a refrigeração por imersão,” afirma.
Atualmente, não há data centers utilizando a novidade no país e nem previsão de uso em projetos em desenvolvimento.
A companhia já realizou oito workshops para apresentação da refrigeração por imersão. Até o final do ano, a empresa pretende promover entre 20 e 30 apresentações da tecnologia em empresas.
A empresa não revela quando está investindo.
A Iconic é uma fabricante de lubrificantes que está ampliando seu foco de negócios para fluidos. A empresa fornece o fluido dielétrico usado nos tanques de resfriamento.
O produto é isolante elétrico e não causa curtos-circuitos. Segundo o gerente da Iconic, ele tem capacidade para absorver 3.000 vezes mais calor que o ar.
Neste modelo de refrigeração, os racks são colocados dentro tanques na posição horizontal e cobertos pelo fluido.
A Iconic firmou parcerias com grupos internacionais para apresentar uma solução integrada de refrigeração. “Não basta vender o fluido. É preciso orientar e ajudar o cliente a entender o novo sistema”, detalha Guimarães.
Vantagens
Guimarães destaca outras características do resfriamento com uso do fluido dielétrico. O ambiente dos servidores fica mais silencioso sem a presença das ventoinhas; usuários têm maior visão espacial do local, já que os racks ficam na horizontal e o recinto é menos hostil, a temperatura do ar mais elevada.
Em grandes projetos, a Iconic também utiliza o argumento de menor produção de CO² e redução de impacto ambiental.
Nos cálculos apresentados por Marcelo Guimarães, um datacenter com potência de 50 quilowatts gera mais de 25 mil toneladas/ano de CO², ficando enquadrado no SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa) como obrigado a comprar créditos de carbono para compensação ambiental. Nos projetos refrigerados por imersão do mesmo porte, o cálculo é de 12.500 toneladas/ano de CO², sem necessidade de gastos para compensação ambiental.
Data centers
O uso da inteligência artificial e suas ferramentas fez crescer a necessidade por servidores com alta capacidade de processamento. Enquanto os datacenters tradicionais têm potência média de 10 quilowatts, os de nova geração chegam a 150 quilowatts.
Atualmente, a capacidade instalada dos data centers no país é de quase um gigawatt. A previsão é chegar a três gigawatts até 2031. É um cenário onde a refrigeração passa a ser um desafio.
Guimarães afirma que a nova tecnologia economiza energia. Ele compara com o consagrado resfriamento a ar apresentando dados de PUE (sigla em inglês para o índice que mede eficácia no uso de energia).
Segundo ele, datacenters com imersão em fluido têm PUE de 1,05 - 5% da energia consumida é utilizada na refrigeração. No sistema com ar-condicionado, o índice é de 1,5 - a refrigeração consome 50% de toda a energia.
Diversificação
A Iconic é formada por uma joint-venture entre o grupo Ipiranga e a Chevron. A empresa produz lubrificantes para os setores automotivo, agrícola, mineração, siderurgia, construção civil, navegação, ferroviário e geração de energia.
A empresa prepara uma diversificação dos negócios após a forte eletrificação em veículos. A refrigeração de data centers é uma primeira etapa.
Em seguida, a companhia quer atender o segmento de armazenamento de energia por baterias no sistema elétrico brasileiro. Está previsto para 2026 o primeiro leilão do segmento; e por último, vai buscar o mercado de refrigeração de baterias elétricas automotivas.
Marcelo Guimarães coloca como meta fechar o contrato do primeiro projeto de data center refrigerado por imersão no país a partir de 2027.
O gerente executivo calcula que existem atualmente no país 20 projetos de data centers de alta capacidade em andamento no Brasil. Agora em 2026, os investimentos são de pelo menos US$ 9 bilhões. Em seis anos, o montante pode alcançar US$ 100 bilhões no Brasil.
A empresa está analisando fazer o retrofit (conversão) de servidores da Ultrapar (controladora da Ipiranga) da refrigeração a ar para a versão por imersão. A ideia é mostrar a aplicação prática da nova tecnologia “dentro de casa”. Deve ficar pronto em três meses o estudo sobre quais equipamentos são adequados à conversão.
Marcelo Guimarães acredita que primeiro serão contratados projetos novos. Só depois da novidade testada, surgirá o mercado de conversões em busca de economia.
Ele afirma que o investimento na construção de novos projetos (capex) com a nova refrigeração por imersão é 14% mais barato. Já a manutenção das atividades (opex) fica 30% menor.


