Infraestrutura ganha protagonismo e impulsiona bairros planejados

Conceito ganha força a partir de integração entre moradia, serviços, lazer, mobilidade e áreas verdes

Rafael Villarroel, da CNN Brasil, São Paulo
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A alta demanda no mercado imobiliário e uma nova forma de morar, os bairros planejados têm ganhado espaço com projetos que priorizam a infraestrutura como um diferencial, integrando moradia, comércio, serviços, lazer e áreas verdes em um único espaço.

Como mostrou a CNN, os brasileiros estão entre os mais insatisfeitos do mundo com a infraestrutura nacional, segundo apontou uma nova pesquisa da Ipsos, a "Global Infrastructure Index 2026".

De acordo com o levantamento, que ouviu mais de 21 mil pessoas em 29 países, o nosso país está entre as nações com os mais altos índices de insatisfação.

Segundo dados obtidos pela Ipsos, 45% dos brasileiros se declaram insatisfeitos (contra 26% que disseram estarem satisfeitos) com a infraestrutura nacional, sendo um dos maiores percentuais registrados, e bem acima da média mundial de 30%.

Infraestrutura como "motor econômico"

A pesquisa destacou ainda que, para 74% dos brasileiros, o investimento em infraestrutura é visto como um motor para a criação de empregos e o estímulo da economia.

Já para 40%, os gastos para melhorar a infraestrutura do país devem aumentar, mesmo que isso signifique impostos ou custos mais altos para os consumidores.

Em Joinville, no norte catarinense, um empreendimento prevê a construção de uma cidade-bairro em uma área de 250 mil m².

O projeto, nomeado de "Cidade das Águas" reúne edifícios residenciais, comércio, serviços, espaços culturais e de lazer, além de amplas áreas verdes, propondo um modelo de viver que concentra diferentes necessidades do dia a dia em um só lugar.

No espaço, uma parte do que será o projeto já está aberta ao público, incluindo um prédio corporativo com áreas comerciais e espaços gastronômicos, além de praça pública.

A previsão da controladora é que o projeto, que já está em obras e tem prazo de entrega total estimado em 20 anos, gere cerca de R$ 7,2 bilhões de reais em vendas.

A primeira fase deve ser entregue no segundo semestre de 2029, após a conclusão da primeira fase, e chegada dos primeiros moradores.

Até o momento, já foram investidos cerca de R$ 700 milhões no empreendimento, mas a previsão é que esse valor chegue a R$ 3 bilhões. O montante faz parte do processo necessário para a construção e operação das obras, incluindo desapropriações e infraestrutura local.

O projeto é baseado na ideia da "cidade de 15 minutos", onde os moradores podem fazer todas as tarefas diárias sem grandes deslocamentos, contando com toda a infraestrutura integrada no mesmo local.

Ao todo, serão três prédios residenciais, divididos em três segmentos, sendo os edifícios Arbo, Arium, e Nola, partindo de 38m² à 500m².

Ambos já estão em fase de comercialização, tendo algumas unidades já vendidas, segundo as empresas. Os preços partem de cerca de R$ 600 mil para as unidades mais básicas e podem chegar a R$ 10 milhões.

A infraestrutura elétrica será subterrânea, com os fios aterrados. Já para a segurança, o bairro contará com um sistema de monitoramento próprio, feito através de câmeras com reconhecimento facial.

Brasil está atrasado em infraestrutura

Em março deste ano, o Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) lançou uma plataforma com os índices de Infraestrutura do Brasil, a partir de dados compilados sobre os 26 estados e o Distrito Federal.

Para o presidente da entidade, Vinicius Marchese, o Brasil está atrasado quando o assunto é infraestrutura, que, segundo ele, pode gerar problemas em um "futuro breve"

A ferramenta fez uma avaliação de desempenho da infraestrutura a partir de seis segmentos, incluindo bem-estar social e cidadania, mobilidade e saneamento básico.

A nota geral do Brasil foi de 56,92, já entre os estados, o Distrito Federal se destacou no primeiro lugar do ranking, com 74,64.

Além do DF, apenas sete estados, sendo São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, pontuaram acima da média.

Entre os estados com as piores notas estão o Acre (28,46), Amapá (33,94), Pará (34,41), Amazonas (36,61) e Maranhão (36,84).