Leilão contrata 19 GW de térmicas e hidrelétricas e movimenta R$ 64,5 bi
Certame teve deságio de 5,52% e contratou capacidade para atender demanda até 2031, com predominância de térmicas; contratação vai custar R$ 38,9 bilhões por ano ao consumidor

O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, realizado nesta quarta-feira (18), contratou 18,97 GW (gigawatts) de potência, com investimento total estimado em R$ 64,5 bilhões.
O certame durou mais de seis horas e teve um deságio médio de 5,52% em relação aos preços iniciais estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME), e ocorre após dois anos de espera, inúmeros debates, judicialização, um adiamento e questionamentos sobre as regras previstas. No total, o volume de contratos somou 515,7 bilhões. Segundo o governo, a economia foi de R$ 33,6 bilhões.
Os vencedores terão direito a uma receita fixa mensal de R$ 38,9 bilhões, paga pela CCEE, em troca da disponibilidade de potência ao sistema. A energia gerada poderá ser comercializada livremente pelos empreendedores.
Entre os principais grupos vencedores estão empresas como Spic, Eneva, Petrobras, Diamante, Áxia (antiga Eletrobras), Âmbar (J&F), Engie, Copel, entre outras, com projetos de termelétricas a gás natural, carvão mineral e hidrelétricas.
Voltado à segurança energética, o LRCap tem como objetivo garantir que o sistema elétrico conte com usinas disponíveis para operar em momentos críticos. Na prática, essas usinas funcionam como uma espécie de “seguro” do sistema e podem ser acionadas rapidamente em situações de alta demanda.
Este foi o segundo leilão feito pelo governo nestes moldes. O primeiro ocorreu em 2021 e teve um deságio médio bem maior, de 15,34%. O certame foi estruturado em produtos com entrega de potência entre 2026 e 2031, organizados em rodadas sequenciais, com predominância de térmicas e participação de hidrelétricas nos anos finais. A quantidade contratada em cada rodada foi definida previamente pelo governo e ajustada ao longo do certame, conforme o resultado das disputas.
Um exemplo recorrente ocorre no início da noite. Nos dias úteis, por volta das 18h, cerca de 45 gigawatts (GW) de geração solar deixam o sistema com o pôr do sol, exigindo o acionamento de usinas térmicas e hidrelétricas para garantir o equilíbrio entre oferta e demanda.
Ao todo, 330 projetos foram cadastrados, totalizando mais de 120 GW de potência, na maioria termelétricas a gás natural. Em entrevista a jornalistas, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, comemorou o resultado, ressaltando que trouxe resiliência ao sistema no que ele chamou de “maior leilão de térmicas da história”
“Leiloamos térmicas existentes para 2026, 2027 e 2028 e térmicas novas também para 2028, 2029 até 2031, isso nos dará segurança energética até a próxima década”, disse. “Creio que será o último leilão de térmicas da década”, acrescentou.
Disputa por preço e acesso à rede
O leilão foi realizado em rodadas sequenciais, nas quais os empreendimentos competiram tanto pelo preço quanto pelo acesso ao sistema de transmissão, fator determinante para viabilizar a entrega da energia ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
O leilão foi dividido em duas etapas, realizadas nesta quarta (18) e na próxima sexta-feira (20), na sede da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo.
Impacto no consumidor
Apesar no volume financeiro movimentado, entidades ligada a consumidores reagiram. A Frente Nacional de Consumidores de Energia lamentou que o leilão não tenha tido bons resultados. Segundo a entidade, Luiz Eduardo Barata, ao insistir em beneficiar diversos grupos de geração obrigará os consumidores brasileiros a contratar muito mais do que o necessário fontes de energia mais caras e mais poluentes.
"A contratação de 19 GW, quase integralmente em térmicas a gás natural e três empreendimentos a carvão, representará custo anual que chegará a R$ 39 bilhões e representará aumento médio nas tarifas estimado em pelo menos 10%, diz a nota da entidade.


