Leilão do Tecon Santos 10 ocorrerá depois das eleições, afirma Pomini

Presidente da Autoridade Portuária de Santos defendeu a restrição aos atuais operadores de terminais e disse que o governo aguarda apenas uma orientação de governo para viabilizar o certame

Fabricio Julião, da CNN Brasil, em São Paulo
Compartilhar matéria

O presidente da APS (Autoridade Portuária de Santos), Anderson Pomini, disse em entrevista ao programa Conexão Infra, exibido nesta quinta-feira (25), que o leilão do Tecon Santos 10 vai acontecer ainda neste ano, depois das eleições.

O Tecon 10 é uma área do Porto de Santos com 650 mil metros que vai dobrar a capacidade de movimentação de contêneires no maior porto da América Latina. Trata-se hoje do principal ativo no calendário de concessões do setor portuário.

No entanto, disputas envolvendo a participação de empresas que já operam no porto e dos armadores, as chamadas companhias de navegação, atrasaram a realização do leilão e impedem o avanço do edital.

"Já passou da hora de realizarmos o leilão. Várias empresas nacionais e internacionais manifestaram interesse, nós já esgotamos os estudos para a modelagem. Agora é decisão política. O ministro [de Portos e Aeroportos] está aguardando apenas uma orientação de governo, que possivelmente ficará para depois das eleições, então deverá acontecer neste ano ainda", declarou Pomini.

A necessidade do Tecon 10 surge com a saturação operacional no Porto de Santos, que atualmente está em 79,7%.

O Porto de Santos cresce, em média, 10% ao ano. Esse tem sido o percentual ao longo dos últimos 30 anos para todas as cargas. Com a maior movimentação esperada, a expectativa é que mais produtos industrializados sejam importados - que urge a necessidade de ampliação dos terminais de cargas.

"Não temos mais tempo a perder, o Porto de Santos precisa desse terminal", declarou o presidente da APS.

Pomini defendeu a participação dos armadores no leilão -- as companhias de navegação -- e as restrições aos atuais incumbentes no porto.

Neste último caso, o presidente da APS avaliou que a modelagem correta seria permitir que essas empresas participem apenas em uma eventual 2ª fase, caso não houvesse propostas de novas companhias, de modo a evitar concentração de mercado.