Mercado vê com receio condições para concessão do Aeroporto de Brasília
Último "filé" dos leilões aeroportuários de 2026 pode gerar falta de interesse pelo tempo de concessão, considerado curto pelos players, e inclusão de outros dez aeroportos regionais no Centro-Oeste

O leilão do Aeroporto de Brasília, considerado o último "filé" entre os ativos aeroportuário disponíveis para concessão neste ano, não deve ter a recepção esperada pelo governo no mercado -- ao menos com as regras atuais do certame.
A CNN apurou que grandes players veem com ressalvas a obrigatoriedade de inclusão de outros dez aeroportos regionais no Centro-Oeste, além de considerarem curto o tempo de concessão, que vai até 2037.
Apesar de não verem condições tão vantajosas no momento, as concessionárias aguardam ainda a publicação do edital.
Em abril, o TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou o acordo firmado entre o Ministério de Portos e Aeroportos, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e a concessionária Inframerica para repactuação do contrato de concessão.
Entre os pontos definidos no acordo, quem vencer o leilão terá que:
- assumir 10 outros aeroportos regionais;
- administrar os aeroportos até 2037;
- R$ 1,2 bi de investimentos durante a concessão;
- construir um novo terminal internacional;
- implantar um edifício garagem e uma nova via de acesso ao aeroporto;
- adquirir equipamentos de segurança e inspeção de passageiros e bagagens.
Previsto para ser realizado em novembro, o leilão é uma das apostas do governo, que pretende ampliar as entregas do setor no atual mandato.
O certame terá lance mínimo correspondente a 5,9% das receitas brutas da concessão e participação obrigatória da Inframerica, que administra atualmente o Aeroporto de Brasília.
Também ficou acordada a saída da Infraero da concessão, que será remunerada pela concessionária por sua participação societária de 49% na composição atual.
A inclusão de dez outros aeroportos ao contrato de concessão faz parte do Programa AmpliAR, elaborado pelo MPor, com o aval do próprio TCU. Eles estão localizados nos seguintes municípios:
- Juína (MT);
- Cáceres (MT);
- Tangará da Serra (MT);
- Alto Paraiso (GO);
- São Miguel do Araguaia (GO);
- Bonito (MS);
- Dourados (MS);
- Três Lagoas (MS);
- Ponta Grossa (PR);
- Barreiras (BA).
O primeiro leilão do Programa AmpliAR foi realizado no fim de novembro do ano passado. Na ocasião, 13 aeroportos regionais da Amazônia Legal e do Nordeste foram colocados em disputa pelas concessionárias atualmente em operação.


