Mercado vê empréstimo da CSN como alívio, não solução para dívida

Analistas avaliam que operação melhora liquidez no curto prazo, mas redução estrutural da alavancagem depende da venda de ativos

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
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O mercado financeiro avalia que o novo empréstimo de até US$ 1,4 bilhão anunciado pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) representa um alívio relevante de liquidez no curto prazo, mas não resolve, por si só, o principal desafio da companhia: a redução estrutural da dívida.

Em relatórios recentes, casas como a InvestSmart XP e o Citi convergem na leitura de que a operação funciona como uma “ponte financeira”, ao permitir à empresa atravessar um período de forte concentração de vencimentos, especialmente em 2026.

A transação, com prazo de cinco anos, deve ser usada majoritariamente para refinanciar passivos existentes.

Para a InvestSmart XP, o movimento “reforça a liquidez da companhia e cria uma ponte relevante para o refinanciamento de passivos”, em um momento em que a CSN ainda opera com alavancagem elevada e forte pressão no resultado financeiro.

A casa destaca que o empréstimo “não resolve sozinho a desalavancagem”, mas melhora a gestão do passivo e reduz a pressão imediata sobre o balanço.

O relatório é assinado por Rafael Bellas, Head de Alocação da InvestSmart XP.

Na mesma linha, o Citi afirma que a operação está “em linha com as expectativas” e classifica as condições como construtivas, mas ressalta que o financiamento tem caráter de transição.

Segundo o banco, a companhia segue dependente da execução de sua estratégia de monetização de ativos para fortalecer a estrutura de capital.

O consenso entre analistas é de que o principal vetor de desalavancagem continua sendo o plano de desinvestimentos da CSN.

A empresa pretende levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões com a venda de participações em negócios como CSN Cimentos e CSN Infraestrutura, movimento visto como essencial para reduzir a dívida líquida de forma mais significativa.

O Citi destaca que a venda de controle da unidade de cimento, em particular, pode gerar uma “redução material da dívida líquida”, mesmo considerando a perda de EBITDA.

“A esperada venda de controle — potencialmente próxima de uma alienação quase total — deve resultar em uma redução relevante da dívida líquida após a aplicação dos recursos, mais do que compensando a diluição do EBITDA”, diz o Citi.