Migrações para o mercado livre de energia caem quase 40% no início de 2026
Diretora da CCEE diz que queda ocorre após forte onda de migrações nos anos anteriores e vê potencial para novas adesões ao longo de 2026
As migrações de consumidores de energia para o chamado mercado livre registraram forte desaceleração em 2026. Dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) mostram que 6.077 unidades consumidoras migraram para o ambiente de contratação livre entre janeiro e abril deste ano, queda de 38,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 9.894 migrações.
Atualmente, o mercado livre responde por cerca de 42% de toda a eletricidade consumida no país. Nesse ambiente, consumidores podem escolher seus fornecedores e negociar livremente condições como preço, prazo e fonte da energia contratada.
O resultado também ficou abaixo do observado no primeiro quadrimestre de 2024, quando 7.143 consumidores ingressaram no mercado livre.
A desaceleração ocorre após dois anos de forte crescimento impulsionado pela abertura do mercado para consumidores conectados à média e alta tensão. Desde janeiro de 2024, todos os consumidores de média e alta tensão passaram a ter o direito de escolher seu fornecedor de energia elétrica, ampliando significativamente o universo de potenciais migrantes.
Além de segmentos industriais que consomem muita energia (eletrointensivos), estão neste segmento shoppings, redes de farmácia, padarias, entre outros setores. Na avaliação da diretora de Operações de Mercado da CCEE, Gerusa Côrtes, a redução no ritmo de adesões era esperada após a forte expansão observada nos primeiros anos da abertura.
“No histórico de demanda do mercado de eletricidade, notamos que era um desejo dos consumidores terem acesso a uma energia mais competitiva”, afirma.
Segundo ela, havia uma demanda reprimida de consumidores que aguardavam a possibilidade de migrar para o mercado livre e aproveitar condições mais favoráveis de contratação.
“Tanto isso é verdade que podemos observar o fenômeno da geração distribuída e do modelo de negócio de autoprodução”, diz.
A executiva explica que, durante a última década, consumidores que buscavam reduzir custos com energia tinham alternativas limitadas. Com a abertura do mercado, parte dessa demanda acumulada migrou rapidamente para o novo ambiente, impulsionando os números registrados em 2024 e 2025.
Apesar da desaceleração observada nos primeiros quatro meses do ano, a CCEE não vê sinais de esgotamento do processo de migração. Segundo Gerusa, a expectativa é que o mercado continue recebendo novos consumidores ao longo de 2026. “Existe ainda uma perspectiva muito forte de migração este ano”, afirma.
Os dados da CCEE mostram ainda que São Paulo liderou as migrações no primeiro quadrimestre de 2026, com 1.601 novas unidades consumidoras, seguido por Minas Gerais, com 481, e Santa Catarina, com 445.