Mineradora com terras raras no Brasil capta US$ 63 milhões em IPO nos EUA
Rare Earths Americas estreou na NYSE American e usará recursos para desenvolver projetos de terras raras nos EUA e no Brasil

A Rare Earths Americas, mineradora com projetos de terras raras nos Estados Unidos e no Brasil, concluiu uma oferta pública inicial de ações ampliada nos Estados Unidos e levantou aproximadamente US$ 63,3 milhões em recursos brutos.
A companhia vendeu 3.333.331 ações ordinárias no IPO. Os papéis começaram a ser negociados na NYSE American na quinta-feira (7). A bolsa é voltada a empresas de pequeno e médio porte nos Estados Unidos.
A operação saiu acima do desenho inicial anunciado pela empresa. No comunicado anterior, a Rare Earths Americas previa vender aproximadamente 2,8 milhões de ações, com faixa indicativa entre US$ 17 e US$ 19 por papel.
O fechamento de 3.333.331 ações e captação bruta de US$ 63,3 milhões indica que a oferta foi precificada no topo da faixa e ampliada em relação à previsão inicial.
Segundo o comunicado ao mercado, os recursos captados com a oferta serão usados para financiar aquisição de terras, pagamentos de opções, perfurações, testes metalúrgicos, licenciamento e preparação de relatório técnico no projeto Shiloh, nos Estados Unidos.
A empresa também pretende direcionar recursos para exploração, avaliação, consolidação de áreas, estudos metalúrgicos, engenharia e licenciamento dos projetos Alpha e Constellation, no Brasil.
Eventuais recursos remanescentes poderão ser usados na avaliação de outros projetos exploratórios, além de capital de giro e finalidades corporativas gerais.
A operação ocorre em meio ao aumento do interesse de investidores por ativos de minerais críticos fora da China, especialmente em terras raras usadas em ímãs permanentes, defesa, veículos elétricos, energia, robótica e eletrônicos.
No Brasil, a tese da Rare Earths Americas está concentrada em dois projetos de argila iônica: Constellation, em Minas Gerais, e Alpha, na Bahia.
O Constellation fica na região de Poços de Caldas, em Minas Gerais, área conhecida por abrigar alguns dos principais projetos de terras raras do Brasil.
A empresa afirma que neodímio, praseodímio, disprósio e térbio representam mais de 22% dos óxidos contidos no projeto. Esses elementos estão entre os mais relevantes para a cadeia de ímãs permanentes de alto desempenho.
O Constellation possui cerca de 59,5 km² de áreas, com o recurso atual limitado a 16 km². A leitura da empresa é que isso abre espaço para expansão futura da base mineral, embora o avanço dependa de novas etapas de exploração e avaliação técnica.
Já o projeto Alpha, localizado na Bahia, reúne 36 licenças e mais de 496 km² de áreas.
A companhia afirma que neodímio, praseodímio, disprósio e térbio representam mais de 24% dos óxidos contidos no Alpha, o que posicionaria o projeto para atender à demanda por terras raras magnéticas.
Apesar do avanço da oferta, os projetos ainda estão em fase de desenvolvimento e dependem de etapas adicionais, como novas campanhas de exploração, testes metalúrgicos, estudos de engenharia, licenciamento e definição de rotas de processamento.