QAV passa a representar cerca de 45% do custo da aviação
Alta de 55% no combustível pressiona setor e pode levar à redução de rotas e aumento de passagens

Com a oficialização do aumento de 55% no preço do QAV (querosene de aviação), o setor aéreo acendeu o alerta e já começa a se reorganizar para mitigar impactos como redução de rotas e alta no valor das passagens.
O diretor-presidente da Abear, Juliano Noman, adiantou à CNN que, com o reajuste, o combustível — que já representava cerca de 33% dos custos das companhias — deve passar a responder por aproximadamente 45% das despesas do setor.
Fontes ouvidas pela reportagem avaliam que o aumento é expressivo, especialmente diante do cenário de produção recorde de petróleo no Brasil e do fato de que cerca de 86% do QAV consumido no país é refinado internamente.
A pressão sobre os custos se intensificou com o cenário internacional, em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz. Diante disso, o setor espera medidas emergenciais, com efeitos de curto prazo, já que há expectativa de novos reajustes nos próximos meses.
No governo, estão em discussão alternativas como a redução do PIS/Cofins sobre o QAV, além de cortes no IOF sobre operações financeiras das companhias aéreas e no imposto de renda incidente sobre o leasing de aeronaves.
As medidas vêm sendo debatidas entre o Ministério de Portos e Aeroportos, Casa Civil, Petrobras, Ministério da Fazenda e Ministério de Minas e Energia. A expectativa, segundo o novo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, é que o pacote seja anunciado nos próximos dias, no mais tardar até o fim da próxima semana.
Sobre as medidas, Juliano Noman explicou que elas podem auxiliar na redução dos impactos a longo prazo. “É muito importante o governo ajudar a amortizar os impactos para não prejudicar o desenvolvimento do setor, o atendimento às cidades, à aviação regional - como o Norte e Nordeste que devem ser os mais impactados”, destacou.
Apesar disso, fontes do setor consultadas pela CNN avaliam que as medidas podem ter alcance limitado, a exemplo do que ocorreu com o diesel. Ainda assim, são consideradas importantes diante do cenário emergencial enfrentado pelas companhias.
Outra medida que também está em análise, antecipada pela reportagem, é a oferta de crédito com recursos do Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil), para financiar a compra de combustível e aliviar a pressão de curto prazo sobre o caixa das empresas.
Esse ponto, no entanto, ainda gera incertezas. A liberação de crédito via Fnac já é discutida há cerca de dois anos, inicialmente como resposta a impactos mais amplos no setor aéreo, mas ainda não houve consenso para sua implementação.


