Reservatório de Jirau amplia papel da usina na gestão do rio Madeira

Mudança na operação permite acumular água, melhorar a geração e apoiar a navegação na região amazônica, alterando o papel da usina no sistema elétrico

Robson Rodrigues, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

Desde meados de 2025, a hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, passou a operar com um pequeno reservatório, o que representa uma mudança relevante no papel da usina não apenas na geração de energia, mas também na gestão hídrica do rio Madeira.

Desde meados de 2025, o empreendimento adotou uma estratégia para manter o nível da água próximo à cota máxima de 90 metros, inclusive durante os períodos de estiagem. A medida, segundo a empresa, permite acumular água e utilizá-la de forma mais eficiente ao longo do tempo.

“Com isso, temos um pequeno reservatório para acumular água e fazer a descarga desta água, não só para gerar energia, mas também para atender as demandas de navegação principalmente nos períodos mais secos”, afirmou o presidente da Jirau Energia, Edson Silva, em entrevista ao programa Alta Voltagem.

A mudança altera, na prática, a lógica tradicional das usinas do rio Madeira. Jirau e Santo Antônio foram concebidas como hidrelétricas a fio d’água, ou seja, sem capacidade de armazenamento, e, por isso, historicamente dependem da vazão natural do rio para gerar energia, concentrando a produção entre dezembro e maio.

Com a operação, Jirau passa a ter uma capacidade, ainda que limitada, de regularização do fluxo hídrico. Isso permite não apenas maior previsibilidade na geração, mas também contribui para a manutenção da navegabilidade do rio em períodos de seca, um fator relevante para a logística na região amazônica.

A empresa apresentou estudos ao ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) indicando que o reservatório pode viabilizar o deslocamento de parte da geração para o período noturno, quando há menor oferta de energia solar no sistema.

A adoção do reservatório também tem impacto econômico. Ao ganhar maior controle sobre o momento de geração, a usina amplia sua capacidade de otimizar receitas, ainda que os riscos operacionais da estratégia permaneçam com a própria empresa.