Sigma Lithium fecha US$ 146 milhões em acordos e reduz dívida em 35%

Companhia prevê forte geração de caixa em 2026 e projeta produção de 240 mil toneladas de concentrado de lítio

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
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A Sigma Lithium anunciou a assinatura de US$ 146 milhões em novos acordos de venda antecipada de lítio, em um movimento que reforça a geração de caixa da companhia e contribui para a redução da dívida, segundo fato relevante divulgado nesta segunda-feira (30).

Os contratos, conhecidos como offtake, preveem o fornecimento de concentrado premium de óxido de lítio a partir de 2026.

Um dos acordos envolve US$ 96 milhões em pré-pagamentos para a entrega de 70,5 mil toneladas ao longo do próximo ano.

O segundo prevê US$ 50 milhões para o fornecimento de 40 mil toneladas por ano durante três anos, também com início em 2026.

Na prática, esse tipo de contrato funciona como uma forma de financiamento antecipado, ao garantir demanda futura e reforçar o capital de giro da companhia, além de reduzir a necessidade de endividamento adicional.

A empresa afirmou que espera uma entrada de caixa de US$ 96 milhões no segundo trimestre de 2026, sendo cerca de US$ 83 milhões provenientes dos novos acordos e US$ 14 milhões de vendas de finos de lítio realizadas anteriormente.

Os resultados divulgados também mostram melhora na estrutura financeira da companhia.

Em 2025, a Sigma reduziu a dívida de trade finance em 60% e a dívida total em 35%.

A empresa encerrou o ano com dívida total de US$ 141 milhões, incluindo um empréstimo de US$ 100 milhões que deve ser amortizado ao longo de 2026 com a geração de caixa e os novos contratos.

A companhia também destacou a retomada da geração operacional de caixa.

No quarto trimestre de 2025, a Sigma registrou US$ 31 milhões em caixa operacional, com margem de 47%, refletindo a redução de custos após a reestruturação das operações de mineração.

No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou entradas de caixa de US$ 35 milhões, principalmente com a venda de finos de lítio de alta pureza, material que anteriormente era tratado como rejeito e passou a ser monetizado pela companhia.

Entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, a Sigma registrou receita líquida de aproximadamente US$ 67 milhões, com a venda de cerca de 650 mil toneladas de finos de lítio e 5 mil toneladas de concentrado premium, principal produto da companhia.

As operações da mina chegaram a ser interrompidas entre outubro de 2025 e o fim de janeiro de 2026, período em que a Sigma promoveu uma reestruturação da lavra e assumiu maior controle direto das operações, antes conduzidas em parte por terceirizados, com o objetivo de reduzir custos e melhorar a eficiência.

Durante esse intervalo, a empresa também enfrentou questionamentos relacionados à segurança de estruturas operacionais, o que adicionou pressão ao processo de reorganização. A produção foi retomada no início de 2026, marcando o reinício das vendas do principal produto da companhia e a recuperação gradual da geração de caixa.

Para os próximos 12 meses, a Sigma Lithium projeta produzir 240 mil toneladas de concentrado premium de óxido de lítio.

A companhia, que opera no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, afirma ser a maior produtora de concentrado de óxido de lítio das Américas, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos.