Silveira sobre Enel SP: "O que a Aneel decidir, cumpriremos"

Recurso da distribuidora contra a abertura do processo irá a pauta da agência nesta terça (11); decisão pode manter, anular ou arquivar o procedimento

Daniel Rittner e Robson Rodrigues, da CNN Brasil, Brasília e São Paulo
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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta segunda-feira (10) que o governo federal cumprirá o que for decidido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) no processo que pode levar à caducidade do contrato de concessão da Enel SP.

Em entrevista à CNN, Silveira disse que a posição da Aneel é aguardada "com serenidade" pelo ministério e garantiu que a pasta concordará com o encaminhamento proposto pela agência.

"O que a Aneel decidir, a União, por meio do Ministério de Minas e Energia, cumprirá. Nós vamos encontrar o melhor caminho para o povo de São Paulo", afirmou o ministro.

A agência volta a discutir o caso Enel SP em reunião de sua diretoria colegiada nesta terça-feira (11). Uma eventual recomendação de caducidade do contrato não precisa ser necessariamente seguida pelo ministério.

No passado, a Aneel já recomendou o fim das concessões da distribuidora CEA (Companhia de Eletricidade do Amapá) e de linhas da transmissão da MEZ, mas o ministério "segurou" uma decisão definitiva sobre o encerramento dos contratos.

Silveira falou ainda sobre a alternativa de uma troca de controle societário da Enel SP. Diversas empresas têm se demonstrado interesse em assumir o comando da concessão, que atende quase 9 milhões de unidades consumidoras na região metropolitana de São Paulo. A CPFL já se admitiu publicamente que é candidata à compra caso o grupo italiano decida negociá-lo.

De acordo com o ministro, uma troca de controle envolve o pagamento por ativos não amortizados da ordem de R$ 11 bilhões a R$ 12 bilhões, cuja responsabilidade terá de ser assumida pelo eventual novo controlador. 

“A troca de controle acontecerá sob a responsabilidade da Aneel e a supervisão do Ministério de Minas e Energia. Também deverá seguir as regras estabelecidas na possível renovação da concessão e na modernização dos contratos de distribuição”, disse.

Se isso mesmo ocorrer, a operação passará, segundo o ministro, pelo crivo da Aneel, além das análises jurídicas e da AGU (Advocacia-Geral da União). 

Renovação das concessões

Durante a entrevista, Silveira também relembrou a renovação de 14 distribuidoras de energia feitas pelo governo em abril.

Na ocasião, foram incluídas na renovação as seguintes distribuidoras: CPFL Piratininga, EDP São Paulo, Equatorial Maranhão, RGE Sul, Energisa Paraíba, Energisa Mato Grosso do Sul, Equatorial Pará, Light, Neoenergia Coelba, CPFL Paulista, Energisa Mato Grosso, Energisa Sergipe, Neoenergia Cosern e Neoenergia Elektro.

"O presidente Lula deixou claro que a qualidade do serviço de distribuição precisa melhorar no Brasil. Quem ler os contratos de distribuição renovados por 30 anos verá que eles foram modernizados", afirmou.

Entenda o processo

Hoje, a Enel busca manter a concessão enquanto a Aneel conclui sua análise sobre o destino da distribuidora. Ao fim do processo, a agência poderá recomendar desde a assinatura de um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) até a caducidade da concessão.

A decisão final, no entanto, caberá ao MME (Ministério de Minas e Energia), que poderá acatar ou não a recomendação da agência reguladora. Caso a Enel opte por vender o ativo antes do desfecho do processo, um eventual comprador teria de considerar, além do valor de mercado da distribuidora, a recuperação dos investimentos já realizados pela companhia.

O que é a caducidade?

O processo de caducidade é o mecanismo previsto nos contratos de concessão para avaliar a perda do direito de uma empresa continuar prestando um serviço público.

No caso da Enel SP, a Aneel instaurou o procedimento após identificar indícios de falhas graves e recorrentes na distribuição de energia, como interrupções prolongadas no fornecimento, demora no atendimento de ocorrências e problemas no planejamento para eventos climáticos extremos.

O que diz a Enel

Em nota, a Enel afirmou que "seguirá atuando com transparência para demonstrar, em todas as instâncias competentes, a melhoria contínua do serviço e o cumprimento integral das metas estabelecidas em contrato e no plano de melhoria", que foi apresentado à Aneel em 2024.

"A companhia tem apresentado avanços comprovados em seu desempenho, tanto em condições operacionais normais quanto durante eventos climáticos extremos. Nos últimos dois anos, a Enel São Paulo reduziu significativamente as interrupções de longa duração e melhorou de forma expressiva os indicadores de atendimento emergencial — entre eles o Tempo Médio de Atendimento a Emergências (TMAE), acompanhado pela Aneel desde a abertura do procedimento administrativo em 2024", diz outro trecho da nota.

Ainda no comunicado, a distribuidora reforçou que "a distribuição de energia deve ser tratada como um ativo de longo prazo, com regras claras, previamente estabelecidas e aplicadas com isonomia a todo o setor".

"A Enel São Paulo reitera seu compromisso de longo prazo com os mais de 8,5 milhões de consumidores da Grande São Paulo. A companhia está alinhada com a modernização dos contratos de concessão mencionada pelo ministro em sua entrevista e se encontra preparada para cumprir as novas regras da mesma forma como já atende, hoje, às normas estabelecidas nos contratos que regem as concessões atuais", finalizou.