Spic anuncia R$ 1 bilhão para expandir hidrelétrica, após vitória em leilão

Projeto prevê nova turbina de 310 MW em São Simão, com contrato de 15 anos firmado no leilão

Robson Rodrigues, da CNN Brasil, São Paulo
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A Spic Brasil, controlada pela estatal chinesa State Power Investment Corporation, anunciou que vai investir mais de R$ 1 bilhão na expansão da hidrelétrica de São Simão, na divisa de Minas Gerais e Goiás, após vencer o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026.

O projeto prevê a instalação de uma nova unidade geradora (UG7), com 310 megawatts (MW) de potência instalada, ampliando a capacidade da usina, que atualmente é de 1.710 MW. Em equivalências, isso seria capaz de abastecer cerca de 6 milhões de residências.

A nova unidade faz parte dos contratos firmados no leilão, que preveem remuneração pela disponibilidade de potência ao sistema elétrico. No caso da hidrelétrica, o contrato terá duração de 15 anos, com início de suprimento previsto para 2030.

A expansão ocorre em um momento em que o setor elétrico busca ampliar a capacidade despachável para garantir segurança energética, diante do crescimento de fontes intermitentes como solar e eólica. Segundo a CEO da Spic Brasil, Adriana Waltrick, o projeto foi viabilizado dentro de condições desafiadoras do leilão.

“No caso das hidrelétricas, conseguimos contratar tudo o que foi possível, em um mercado em que está muito difícil comprar turbinas. Era um preço-teto bem apertado e ninguém conseguiu baixar muito o preço, mas é um projeto bom ao consumidor, com energia limpa, reservatório e transmissão já prontos”, afirmou à CNN.

 

Expansão sem novos impactos ambientais

A nova unidade será instalada na estrutura já existente da usina, sem necessidade de ampliação do reservatório ou inundação de novas áreas. As intervenções ocorrerão em uma área equivalente a um campo de futebol, que será posteriormente recuperada, segundo a empresa.

O início das obras está previsto para 2026, com geração de empregos diretos e indiretos e impacto na economia local.

A ampliação da capacidade da usina está ligada ao processo de modernização de São Simão, iniciado em 2019, que prevê investimentos superiores a R$ 1,2 bilhão ao longo de dez anos.

 

Financiamento e próximos passos

Para viabilizar o projeto, a empresa avalia diferentes alternativas de financiamento, incluindo emissão de debêntures incentivadas, captações no mercado externo e outras fontes privadas. A companhia também está na fase final de definição do fornecedor dos equipamentos, em um cenário de restrição global na oferta de turbinas.

Além da expansão hidrelétrica, a Spic também acompanha a preparação do governo para o leilão de armazenamento de energia. “Olhamos este leilão com interesse. Temos a tecnologia e o plano de negócios preparado, mas ainda precisamos entender melhor os aspectos regulatórios”, disse Waltrick.