Suape Energia conclui implantação de motor a etanol para geração elétrica
Em parceria com a Wärtsilä, conversão de equipamento movido a óleo diesel consumiu R$ 60 milhões em investimentos

A Suape Energia finalizou nesta quinta-feira (28) a implantação de um motor movido 90% a etanol e 10% a biodiesel voltado à geração de energia. O equipamento foi convertido de óleo diesel numa parceria com a Wärtsilä Energy.
Segundo as empresas, é o primeiro teste do mundo de um motor voltado à geração elétrica em larga escala utilizando etanol verde como combustível principal.
A tecnologia já havia sido previamente testada pela Wärtsilä com metanol na Finlândia, e agora está sendo adaptada ao contexto brasileiro utilizando etanol derivado da cana-de-açúcar.
O projeto piloto terá duração de até 4.000 horas ao longo de dois anos, com início previsto para junho de 2026
O investimento no desenvolvimento do equipamento foi de R$ 60 milhões até agora. Ele poderá ser aplicado tanto em usinas termelétricas como no setor marítimo, em embarcações que utilizam em motores movidos a combustão.
Com a conclusão da implantação, o projeto agora avança para fase operacional e futura validação tecnológica da solução em ambiente real.
“Nosso objetivo agora é realizar os testes, validar a geração de energia com ele, demonstrar sua viabilidade econômico-financeira e trabalhar pela sua consolidação como uma solução estratégica”, afirmou José Faustino Cândido, diretor técnico da Suape Energia.
Em comparação com os motores tradicionais movidos a gás natural, as duas empresas consideram que o motor movido a etanol é mais econômico e tem menos emissão de poluentes.
Segundo os dados do projeto, a substituição de térmicas fósseis por etanol pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em mais de 80% quando comparado a uma térmica tradicional com óleo combustível,
Em termos de desempenho, o motor possui eficiência média estimada de 40%. A proposta é demonstrar que o etanol pode atuar como combustível renovável para geração despachável, combinando flexibilidade operacional, segurança energética e redução de emissões.
Os parceiros destacam os ganhos de inovação e transição energética com o projeto, e reforçam o potencial de integração entre os setores energético e sucroenergético, ampliando oportunidades para a indústria nacional e para o desenvolvimento regional.
O novo equipamento apresenta uma logística mais simples, sem a dependência de gasodutos, e que pode ser facilmente colocada próxima aos locais que necessitam de geração, evitando custos com linhas de transmissão e sendo mais eficientes.
A Suape II S.A. fica no Porto de Suape e é responsável pela operação da maior termelétrica a óleo combustível do Brasil, com capacidade instalada de 381,2 megawatts.


