Supergasbras fecha primeiro contrato de fornecimento de BioGL no Brasil

Dois meses após importar a primeira carga do combustível renovável, distribuidora firma acordo com a Ortobras para iniciar substituição gradual do GLP fóssil por BioGL em sua operação

Robson Rodrigues, da CNN Brasil, São Paulo
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A Supergasbras, distribuidora de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) do grupo holandês SHV Energy, fechou o primeiro contrato de fornecimento de BioGL no Brasil. O combustível renovável possui as mesmas características do GLP, popularmente conhecido como gás de cozinha.

O acordo foi firmado com a Ortobras, empresa gaúcha que atua em soluções de acessibilidade, mobilidade e elevadores residenciais e prediais, marcando o início da comercialização do combustível renovável no país.

O anúncio ocorre cerca de dois meses após a Supergasbras anunciar a primeira importação de BioGL para o mercado brasileiro. A carga, trazida da Europa, desembarcou pelo Porto de Tergasul, no Rio Grande do Sul, o primeiro porto do país a obter a certificação internacional de sustentabilidade ISCC Plus, que assegura a rastreabilidade e o atendimento a critérios ambientais ao longo de toda a cadeia de suprimentos.

Pelo contrato, a Ortobras passará a utilizar inicialmente um volume equivalente a 5% de BioGL em seu consumo anual de GLP. A participação do combustível renovável deverá dobrar para 10% em 2027, como parte da estratégia da empresa para reduzir as emissões de gases de efeito estufa associadas ao consumo de combustíveis fósseis.

O BioGL tem as mesmas características físico-químicas do GLP convencional e pode ser utilizado na mesma infraestrutura e nos mesmos equipamentos, sem necessidade de adaptações. Essa característica é apontada pela Supergasbras como uma das principais vantagens da tecnologia, por facilitar a adoção do combustível renovável sem investimentos adicionais por parte dos consumidores.

A comercialização ocorre por meio do modelo de certificação de atributos ambientais. A operação segue o padrão internacional ISCC Plus, que garante a origem sustentável e a rastreabilidade do produto. A Supergasbras é a primeira distribuidora de GLP do Brasil a obter essa certificação.

Para viabilizar a operação, a empresa precisou promover adequações operacionais para atender às exigências da certificação internacional, estruturando processos capazes de assegurar o controle da cadeia de fornecimento do combustível renovável.

À CNN, o CEO da Supergasbras, Júlio Cardoso, diz que, embora ainda seja um mercado incipiente no Brasil, a expectativa é de crescimento acelerado da demanda por gases renováveis. O avanço é impulsionado pelo aumento da pressão sobre empresas para reduzir emissões, atender metas climáticas e incorporar soluções sustentáveis em suas operações, especialmente em segmentos industriais com maior consumo energético.

O BioGL ainda não tem viabilidade econômica, por isso não vai competir com o GLP convencional pelo preço, mas pelo atributo ambiental. “O custo do BioGL que estamos importando é praticamente o dobro do GLP (...), mas é um produto especial para empresas que têm uma agenda ESG. Vão pagar mais caro por uma agenda de sustentabilidade”, explica.

O BioGL é feito de óleo vegetal, resíduos plásticos ou resíduos do agronegócio. Dada a vocação do Brasil na agroindústria, a expectativa da empresa é conseguir nacionalizar esse insumo. Os estudos ainda estão ocorrendo, mas a empresa detém a patente do BioGL de resíduos plásticos.

“Estamos trabalhando com cinco universidades em projetos para produzir BioGL no Brasil”, diz. “Com demanda e escala, podemos pensar em ter preços mais competitivos”, acrescenta.

O próximo passo é criar uma demanda de mercado firme. Neste primeiro momento, a estratégia comercial da Supergasbras está concentrada no mercado granel, direcionando o BioGL principalmente para indústrias e empresas do agronegócio que possuem metas de descarbonização e compromissos relacionados às metas climáticas.