Taxação chinesa preocupa mais logística que tarifaço dos EUA, diz CNT
Exportação brasileira já sente o impacto da sobretaxa de 55% sobre a carne imposta pelo país asiático

A tarifa adicional de 55% imposta pela China sobre a carne brasileira representa um risco maior para a logística nacional do que o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, na avaliação do presidente da CNT (Confederação Nacional do Transporte), Vander Costa.
Em entrevista ao Conexão Infra, ele afirmou que a medida chinesa afeta diretamente um dos principais fluxos de exportação do país, enquanto a participação norte-americana na pauta exportadora brasileira é mais limitada.
Os efeitos da suspensão das compras de carne bovina brasileira pela China já aparecem nas estatísticas de comércio exterior. Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) indicaram uma desaceleração dos embarques do produto.
Segundo Vander Costa, embora o Brasil exporte aos Estados Unidos produtos industrializados de maior valor agregado, o volume embarcado é relativamente pequeno.
“O grande problema é que a gente exporta para os Estados Unidos produtos industrializados de maior valor agregado. Mas o grande benefício é que a gente exporta pouco também. Então, o fato dos Estados Unidos terem pouca importância na cadeia exportadora brasileira minimiza o problema”, afirmou.
Para o presidente da CNT, a estratégia adotada pelo governo brasileiro de manter as negociações com Washington é adequada no curto prazo. “O governo precisa fazer o certo. Ele tem que procurar continuar negociando. E os empresários brasileiros também tomaram iniciativa”, disse.
O presidente afirmou ainda que vê o aumento das tarifas como uma medida voltada principalmente para questões internas dos Estados Unidos. “Eu até coloco em dúvida o grande motivo da ação política dos Estados Unidos (...). Eu acho que é mais uma tentativa de ele [presidente Trump] resolver o problema interno dele de aumentar a arrecadação.”
Diversificação de mercados
Como alternativa, Vander Costa defendeu a diversificação dos mercados de destino das exportações brasileiras e a exploração de acordos comerciais. “A alternativa é procurar outro mercado. O governo brasileiro tem feito isso, ao procurar a Ásia e a Europa. Além disso, precisamos fazer valer o acordo Mercosul-UE para podermos exportar mais para a Europa”, afirmou.
Na avaliação do presidente da CNT, a política comercial adotada pelo governo Donald Trump pode fortalecer a influência chinesa no comércio internacional.
“Eu vejo que o governo Trump está cometendo um engano muito grande. Quando começou a governar, ele falou que o grande concorrente era a China e está jogando o mundo no colo dos chineses”, disse.
Vander Costa também afirmou que o setor produtivo brasileiro já vinha se preparando para um cenário de novas tarifas estadunidenses, o que diminuiu o impacto das sobretaxas.


