Viabilidade comercial da Margem Equatorial depende de mais perfurações

Diretoria da Petrobras afirma que é preciso avaliar também o volume de petróleo; companhia ainda tem sete poços para licenciar no Amapá

Robson Rodrigues, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

Apesar do otimismo em torno das novas descobertas de Petróleo na região da Margem Equatorial, a confirmação da viabilidade comercial das descobertas ainda depende de novas perfurações para dimensionar o volume e avaliar o potencial de produção da área. 

A afirmação foi feita nesta sexta-feira (2) pela presidente da companhia, Magda Chambriard, em coletiva de imprensa sobre a nova descoberta no poço Morpho. Ao tratar da possibilidade de desenvolver a área, a executiva ressaltou a necessidade de perfurar poços de delimitação antes de confirmar um projeto de produção.

“Estamos aumentando o valor destas áreas exploratórias para a Petrobras. O Amapá está ficando mais valioso a cada dia”, disse. “Não podemos afirmar que temos descoberta ainda, precisamos dos poços de delimitação. Se confirmando o que vem acontecendo, indica que estamos abrindo uma nova fronteira”, acrescentou.

Os poços de delimitação ajudam a determinar a extensão das acumulações de petróleo, estimar os volumes e avaliar a produtividade dos reservatórios. Para ilustrar o alcance limitado de uma única perfuração, Magda comparou o poço a um “canudo de Coca-Cola” em uma área do tamanho do Maracanã: ele permite investigar apenas uma pequena parte desse espaço.

Magda afirmou que a Petrobras ainda tem outros sete poços para licenciar no Amapá e disse que os resultados obtidos reforçam a atratividade do país para o setor.

“Uma descoberta como essa mostra que o Brasil continua como um bom alvo de investimentos. Temos ainda mais sete poços para licenciar no Amapá”.

Falta saber o volume

A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, disse que o resultado da nova descoberta está ligado a uma longa mobilização para viabilizar o projeto, mas ainda é preciso saber se o montante faz jus a investimentos de exploração em escala.

"Do ponto de vista geológico, demonstramos que havia geração de petróleo na área. O que está faltando é o volume. Eu sei que o sistema petrolífero está funcionando, mas o volume só vamos conseguir com outras perfurações na área".

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira a identificação de outro intervalo com petróleo em Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. Segundo Magda, a descoberta ocorreu na quinta-feira (1), em uma camada mais profunda do mesmo poço em que a companhia havia encontrado hidrocarbonetos em agosto.

A executiva explicou que Morpho apresenta petróleo em duas profundidades diferentes. Um mesmo poço, disse, pode alcançar mais de uma camada com óleo, cada uma com capacidade produtiva própria.

No comunicado, a Petrobras informou que as análises da descoberta de agosto confirmaram a boa qualidade do petróleo encontrado. Os dados do novo intervalo ainda serão caracterizados por meio de análises laboratoriais. O documento não apresenta estimativa de volume recuperável nem previsão de início da produção.

A previsão da Petrobras é concluir os trabalhos em Morpho até o fim de outubro. Depois, a sonda será desmobilizada e seguirá para a perfuração de Mãe de Ouro, poço exploratório em águas profundas da Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte.