Falha em IA fará 58 mil alunos refazerem prova em universidade do México

Software de monitoramento remoto não conteve fraudes e mais de 50 mil candidatos da UNAM devem refazer o processo presencialmente.

Joisiane Machado, da CNN Brasil, São Paulo
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Um processo seletivo universitário que deveria ser um marco de modernização tecnológica terminou em cancelamento e controvérsia no México. A Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), maior instituição de ensino superior do país, anunciou que cerca de 58 mil candidatos terão que refazer presencialmente a prova de ingresso após falhas no sistema de supervisão por inteligência artificial.

Realizado entre o fim de maio e o início de junho de 2026, o exame reuniu quase 160 mil inscritos de forma inteiramente remota pela primeira vez. Para evitar fraudes, a instituição exigiu o uso do programa LockDown Browser, software que bloqueia o acesso a outros sites e aplicativos, combinado a um sistema de monitoramento por webcam alimentado por algoritmos de IA. Esse sistema é capaz de detectar movimentos suspeitos, presença de terceiros ou o uso de telefones e fones de ouvido. 

Apesar das barreiras digitais, a divulgação dos resultados revelou uma discrepância estatística relevante no histórico da universidade. 

Disparo nas notas e investigação

A análise dos resultados acendeu o alerta da administração. Entre 2021 e 2025, a média de alunos que alcançavam 110 ou mais pontos (em um total de 120 questões) era de apenas 0,9%. Na edição deste ano, a proporção de candidatos com notas no topo da tabela saltou para 5,5%, um crescimento de mais de cinco vezes. 

Diante do forte indício de colapso na segurança do teste, a universidade nomeou uma comissão de especialistas para investigar a seleção. Em relatório recente, o grupo concluiu que a única forma de garantir a integridade do processo é aplicar um novo "exame de controle", desta vez totalmente presencial e supervisionado por fiscais humanos. 

A medida afeta tanto os estudantes que garantiram vaga direta pela prova remota quanto os candidatos que atingiram a pontuação mínima necessária com base nos históricos desde 2021. 

Falhas na supervisão remota 

A própria instituição reconhece que as ferramentas tecnológicas falharam em conter trapaças. Como a prova consistia em questões de múltipla escolha, o sistema não conseguiu identificar padrões clássicos de plágio em texto escrito. 

Uma reportagem recente do New York Times revelou que, antes mesmo da aplicação dos exames, fóruns e redes sociais já compartilhavam orientações sobre como burlar o sistema, desde o posicionamento de monitores adicionais fora do campo da câmera até o uso de pontos eletrônicos escondidos pelo cabelo. 

Em uma publicação na Gaceta UNAM, o veículo oficial de notícias da instituição, a reitoria pediu desculpas aos estudantes que terão de refazer o teste, mesmo sem terem burlado a supervisão, reforçando que a medida é indispensável para restabelecer a igualdade de condições no acesso à universidade. Os detalhes sobre o calendário do novo exame presencial devem ser divulgados nos próximos dias, já que o início das aulas no México está previsto para este mês.