Sanders de 2020 está perdendo para o Sanders de 2016


Zachary B. Wolf, da CNN
04 de março de 2020 às 12:32 | Atualizado 15 de março de 2020 às 18:42
O democrata Bernie Sanders fala sobre o coronavírus em Burlington (EUA)

O democrata Bernie Sanders fala sobre o coronavírus na cidade de Burlington (EUA)

Foto: Caleb Kenna - 12.mar.2020/Reuters

O democrata Bernie Sanders está mais perto agora do que em 2016 de obter a nomeação do Partido Democrata para disputar a presidência dos Estados Unidos. Mas, em uma estranha reviravolta política, ele está fazendo isso com muito menos apoio.

Há tantas diferenças entre 2016 e 2020 que é difícil comparar as duas campanhas. Em primeiro lugar, enquanto Sanders obteve, em 2020, um terço dos eleitores nas primárias democratas e chegou a liderar a disputa pelos delegados na Superterça, ele conseguiu mais votos em 2016.

A principal razão para isso é que, naquele ano, era praticamente uma corrida entre duas pessoas — Bernie Sanders e Hillary Clinton — e em 2020, há mais concorrentes. Em 2016, Sanders liderava o movimento socialista democrata; em 2020, ele tenta combater as suspeitas (e temores) de muitos democratas de que seu socialismo ajudaria a reeleger o republicano Donald Trump.

Com base nos resultados das primárias e pesquisas até agora, está claro que a base de apoio de Sanders encolheu em quatro anos, desde a última vez que disputou o comando da Casa Branca, mesmo com o crescimento de seu poder político.

“Ele não se saiu bem em Iowa e New Hampshire. Obteve 86% dos votos em Vermont contra Hillary Clinton em 2016. Levou 57% nessa noite”, disse David Axelrod, analista político da CNN.

Ele apontou que Sanders conseguiu todos os delegados de seu estado-natal, Vermont, em 2016. Neste ano, ele obteve apenas 51% deles, o que significa que o rival Joe Biden levará alguns dos delegados desse estado.

“Bernie Sanders não está crescendo aqui. Ele não está trabalhando no que fez antes, e isso pode ser um grande problema”, afirmou Axelrod.

Bernie 2016 x Bernie 2020

- Sanders venceu em New Hampshire com mais de 60% dos votos em 2016. Em 2020, ele obteve 25,6%.

- Ele teve 35% dos votos na Virgínia em 2016 e 23% em 2020.

- Teve 41% na Carolina do Norte em 2016 e 24% em 2020 (com mais de 80% dos votos apurados)

- Sanders ganhou em Minnesota em 2016; neste ano, ele perdeu para Biden.

- Sanders ganhou em Oklahoma em 2016, mas perdeu em 2020.

Onde estão os jovens?

Sanders promete criar uma nova coalizão com os jovens e minorias que querem que o governo faça mais pelo povo. Mas os eleitores jovens, grupo tradicionalmente democrata, estão comparecendo menos às primárias do que as pessoas de outras faixas etárias. Na verdade, a quantidade de eleitores com idade entre 17 e 29 anos que geralmente votam em Sanders, diminuiu.

Na Carolina do Norte, em 2016, 18% dos eleitores das primárias democratas tinham entre 17 e 29 anos. O número deste ano é ligeiramente menor, segundo pesquisas. Já em Oklahoma, era 12% em 2016, e um a cada dez em 2020.

Sanders ganhou 58% dos votos dos independentes políticos em 2016 na Carolina do Norte. Em 2020, ele obteve 40% deles. Desse mesmo grupo, ele recebeu 69% dos votos em Oklahoma em 2016 e cerca de três a cada dez em 2020.

Apoio em um local importante

Mas apesar de Sanders não ter se saído muito bem em muitas áreas, ele tem crescido em um setor extremamente importante para os democratas: os latinos.

Ele ganhou em estados com alto número de latinos, onde perdeu em 2016: na última eleição, ele perdeu em Nevada e no Colorado, mas ganhou desta vez. Além disso, em 2016, ele perdeu no Texas por uma ampla margem; em 2020, Sanders e Biden estão quase empatados.

Hillary Clinton ganhou 71% dos votos latinos no Texas em 2016, enquanto Sanders levou 29% — grupo representou 32% dos votos das primárias democratas naquele ano. Já em 2020, Sanders ganhou quase metade dos votos latinos no Texas e metade em Nevada, similar aos 53% obtidos neste Estado em 2016.

Em relação à Califórnia, Sanders ganhou cerca de metade dos votos latinos em 2020. É difícil comparar as primárias deste ano com as de 2016, já que há quatro anos ele caiu no último dia de prévias, depois que Hillary acumulou delegados suficientes para conseguir a nomeação democrata. Ela ganhou na Califórnia. Este ano, obviamente, a disputa está longe de acabar, e Sanders lidera no estado, mas com menos de 30%.