Perfil: Biden, a escolha segura do centro democrata contra Trump


Da CNN Brasil, em São Paulo
13 de março de 2020 às 15:48 | Atualizado 15 de março de 2020 às 18:46
Joe Biden em comício na Filadélfia, EUA

Pré-candidato presidencial democrata Joe Biden na Filadélfia

Foto: Brendan McDermid - 10.mar.2020/ Reuters

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Joe Biden entrou na corrida pela indicação do Partido Democrata à disputa da Casa Branca com o argumento de que seus mais de 40 anos em cargos eletivos o tornam a melhor escolha para derrotar Donald Trump.

“Se dermos oito anos para Donald Trump na Casa Branca, ele alterará para sempre e fundamentalmente o caráter desta nação, quem nós somos. Não posso ficar parado assistindo isso acontecer”, disse Biden ao lançar sua campanha, em abril de 2019 — à época, ao lado de mais de 20 outros pré-candidatos.

As performances fracas em Iowa e New Hampshire — primeiras votações de 2020 — custaram a Biden, no entanto, o status de favorito. Ele só recuperou essa posição depois da surpreendente votação obtida na Superterça, em 3 de março, quando desbancou Bernie Sanders em dez dos 14 estados onde houve votação.

Biden já disputou as primárias do partido em outras duas ocasiões: 1988 e 2008. Mas essas tentativas de chegar à Casa Branca terminaram em derrotas humilhantes.

Na primeira delas, o então senador por Delaware não venceu nenhuma das disputas. A segunda tentativa, no entanto, foi fundamental para que Barack Obama, primeiro presidente negro da história dos EUA, o escolhesse como seu vice.

Aos 77 anos, persistem dúvidas sobre seu estilo moderado de fazer política, algo que a ala mais progressistas do partido afirma estar fora de sintonia com a guinada à esquerda defendida por eles.

Este último argumento, no entanto, parece ter perdido peso depois da Superterça, já que boa parte do establishment democrata se consolidou em torno de Biden. Este movimento é fundamental para Biden conseguir arrecadar mais dinheiro.

Joe Biden discursa em Detroit, Michigan

Joe Biden discursa em Detroit, Michingan, em comício das primárias democratas

Foto: Brendan McDermid - 10.mar.2020/ REUTERS

A força que Biden adquiriu materializou-se no apoio que ele passou a receber dos concorrentes que abandonaram a disputa. Até o momento, políticos como Pete Buttigieg, Amy Klobuchar, Kamala Harris, Michael Bloomberg, Beto O'Rourke, Andrew Yang e Cory Booker já se posicionaram a favor dele. Há também mais de 40 congressistas e governadores que endossaram sua campanha.

Se Biden for eleito presidente, ele se tornará a pessoa mais velha a ocupar o cargo: 78 anos em 20 de janeiro de 2021, data da posse do próximo presidente americano. Sob esse aspecto, o mesmo ocorrerá se Sanders vencer a eleição (terá 79 anos na posse). 

Curiosamente, o atual detentor desta marca é o presidente Donald Trump, que tinha 70 anos ao receber a faixa presidencial em 2017.

Tragédias pessoais

A vida de Biden foi marcada por tragédias pessoais: em 1972 ele perdeu sua mulher e sua filha em um acidente de carro, no qual seus filhos Beau e Hunter também ficaram gravemente feridos.

Os dois se recuperaram e Beau tentou seguir os passos de seu pai na política. Tornou-se procurador-geral de Delaware, onde pensava em candidatar-se a governador, mas foi obrigado a desistir depois de descobrir um câncer no cérebro.

Beau morreu em em 2015, aos 46 anos, em consequência deste câncer. A perda do filho foi um dos principais fatores que fizeram Biden desistir de concorrer à presidência em 2016.

Em 2020, quando Buttigieg deixou a disputa e apoiou-o, Biden lhe fez um elogio ao afirmar que o estilo do jovem político, ex-prefeito de South Bend, em Indiana, o lembrava de seu filho Beau.

O caso ucraniano

O filho mais novo de Biden, Hunter, esteve no centro de um escândalo em 2019 depois que Trump pediu a seu colega ucraniano Volodimir Zelenski que investigasse seus negócios na Ucrânia.

Hunter atuou no conselho de administração de uma empresa estatal de gás ucraniana enquanto Biden era vice-presidente, o que fez Trump acusar o ex-vice-presidente de corrupção ao agir para favorecer o filho.

Esse suposto pedido de interferência de Trump a um líder estrangeiro foi o principal motivo para Câmara dos EUA abriu um processo de impeachment o presidente. Aprovado nesta Casa em 18 de dezembro, o impeachment foi barrado no Senado em fevereiro. (Com informações da Reuters e da CNN).